segunda-feira, 16 de março de 2020

Carnaval em casa

Durante essa vivência no carnaval em participar da ala de maculelê da Mocidade alegre e do bloco os capoeira, eu fiquei a pensar o quanto a periferia está privada de vários eventos até eles mesmo sendo gratuitos, só de imaginar a condução, alimentação e até mesmo o dinheiro de bebidas ou outros lazeres. Não estou nem falando que muitas pessoas nem conhecem a cidade, isso é um fator que também dificulta muito. Então, pensei em fazer um carnaval em casa, chamei a parceira Cris da percussão e ela topou a gente pegar uns instrumentos e fazer um som com a criançada e adolescentes da quebrada e também colou adultos e foi muito bacana a experiência.





E teve ritmo de samba duro, funk, afoxé, capoeira, rap e muito mais!

 Eai a mulecada deu ideia de fazer a brincadeira no outro sábado.
 O povo gostou
 Eai foi pra rua, assumindo o lugar que temos que ocupar e mostrar o talento dessa mulecada, com a professora Cris facilitando o processo de aprendizado e a gente incluindo a cultura popular na vida dessa mulecada.



Bloco "Os capoeira"

 E no clima de carnaval participei com a rapaziada do bloco "Os capoeira", com uma grande recepção do mestre Lua e também da Mariana.

Como diria o grande Sabotagem "Vai moscar? se envolve jão! participe saber qual é que é não é tolice!". e nós somos pontes que atravessa qualquer rio.

Gostei muito do som e repertório da rapaziada, onde cantou várias músicas da composição do meu querido finado mestre moreira.
Curti o carnaval de uma maneira diferente, fortalecendo minhas raízes e exaltando meus antepassados.


 Encontrei a prof Idalina, a qual fizemos uma atividade a uns anos atrás com o Fórum da criança e adolescente.

 Teve muita capoeira e percussão
E a madrinha Marisa Hort do bloco Os capoeira, quem lembra do Sai de Baixo " Cala a boca Magda!" nas antigas, hoje ela cantou e falou muito e ainda foi cortejada pelos berimbaus dos capoeira


E assim foi essa grande folia!!!

Maculelê carnaval 2020

A dança do maculelê foi parar no sambódromo do Anhembi com a galera da Mocidade Alegre.

Essa foto do ensaio técnico mostra o tanto de guerreiros e guerreiras de vários cantos da cidade, unidos na organização do professor Chocolate (Mário).
Essa rainha africana ai é a Sheila nossa coordenadora de Ala .
E conhecemos um pessoal bem engraçado
Com o tema "O canto das Yabás" a Mocidade Alegre contou um pouco das Orixás femininas, e toda sua riqueza e beleza, e conseguiu passar essas lindas histórias na avenida. 
O maculelê dança tribal afro-indígena-brasileira veio contribuir nessa linda história.
Até o seu Nilson caiu no clima de carnaval
O José conhecido como tartaruga ninja do desfile, fortaleceu o grupo

Essa é a ticaricarica gente fina,
E essa foi a saída do Anhembi, ficamos em 3º lugar, e desfilamos novamente no "Desfile das Campeãs"

segunda-feira, 2 de março de 2020

Estética é poder!



Resgatando a beleza fora dos padrões eurocêntricos, o ensaio buscou trazer a beleza negra e nativa aqui do Brasil, ao qual somos herdeiros. Em Africa éramos reis e rainhas, aqui no Brasil guerreiros e guerreiras, com sua cultura, suas vestimentas, suas pinturas e seu próprio jeito de viver e se conectar com a natureza.




Uma das estratégias para a aniquilação do povo negro era faze-los acreditarem que eles eram inferiores, que eram atrasados, assim a comparação com o macaco não se dava somente pela fisionomia mas pela ideia que eram irracionais. A ciência na época legitimou que o negro era menos inteligente pela espessura de seu crânio estando mais propício a cometer crimes, prostituição e coisas do tipo. Sabemos que essas baboseiras eram um plano pra legitimar o racismo que perpetua até hoje, colocar o negro como inferior e ele introjetar esse pensamento faz com que afete sua auto estima e auto imagem, onde para muitos a vida não fazia mais sentido, levando ao banzo e ao suicídio, onde muitos acreditavam que com a morte iriam reencarnar em África.







Outra coisa que passei a reparar são as "brincadeiras", que passei a chamar de "brincadeiras destrutivas", onde com um sorriso no rosto as pessoas chamam as outras de "cabelo de vassoura", "boneco de piche", "macaco", "meia noite" entre outros apelidos. As crianças zoam o outro pelo dente torto, mas não conseguem enxergar a falta de políticas públicas para o tratamento dentário, também zoam por estar mais gordinho ou magro demais, e quando os outros são risada essa criança se sente potente, com um poder de diminuir o outro e fazer as pessoas rirem, e isso inflama o ego pois ele a segundos atrás estava sendo zoado e agora ele conseguiu "destruir" a outro colega com as palavras, falando que a mãe dele cheira pó, e o pai rouba o mercadinho da esquina. Ele guarda esse momento de exposição e pensa no outro dia inventar uma outra zoeira para "acabar" com o outro, fazendo enxergar o que nos separa e não o que nos une. Sei que são crianças, mas é da base que devemos trabalhar essas questões e trazer reflexões, faz parte do processo de crescimento e formação.





 A "brincadeira" tira o peso, pois se a outra pessoa levar a sério o outro diz "era apenas uma brincadeira, vocês são muito chatos! mi mi mi", e essas ações vão perpetuando também o racismo e mexe com a estima das pessoas.

A proposta de tirar fotos das crianças foi no sentido de valorizar essa beleza que existe, cada um da sua forma, com seu jeito, para que eles possam através de câmeras profissionais se olharem, se valorizarem, e enxergar essa beleza que a todo dia tentam apagar, pela televisão, propagandas, capas de revistas, e muitos outros instrumentos de comunicação das mídias, que das análises de Focault é o quarto poder.




Meus infinitos agradecimentos ao coletivo Lentes Periféricas, e a Bianca que viabilizou a sessão, foi muito importante para todos nós esse dia, muito obrigado!


domingo, 9 de fevereiro de 2020

Sessão de fotos com o coletivo Lentes periféricas



 No domingo dia 10 de Fevereiro, o coletivo Lentes Periféricas veio até o Capão redondo fazer uma sessão de fotos com a criançada da capoeira do grupo A Fúria do Negro. 
 Para “resistir” é necessário primeiro “existir”, a existência para que possamos ser resistência. Uma das formas é através da observação e percepção, para que possamos nos enxergar, quantas vezes você realmente se olhou no espelho?, lá na bolinha do olho, no fundo da alma.
 É preciso ressignificar o passado para entender o presente, e é preciso entender sobre nossas raízes e também sobre nossos antepassados. Se reconhecer como sujeito ativo que transforma e é transformado desde pequeno, quanto mais estímulo cultural melhor, o capital já está aí com várias estratégias de competir e a meritocracia apontar o "melhor". 
 Estamos olhando para outra direção, registrar momentos, sorrisos, caretas, brincadeiras é mostrar o nosso melhor lado.
 Percebemos o quanto é importante a imagem, a estética é poder! trabalhar a auto estima, a identidade sair da invisibilidade social.
 Se reconhecer bonito(a), cada um com seu jeito, com suas características, buscando a auto confiança e auto aceitação, sem cair no pensamento que é imposto de uma cultura eurocêntrica, aceitando seu cabelo crespo, seus lábios grossos, e o seu corpo.
 São adolescentes fotografando adolescentes e crianças, sendo além de fotógrafos(as), mas também exemplo e inspiração para nossa criançada.
Obrigado ao coletivo Lentes Periféricas, que proporcionou esse momento mágico,foi muito legal, sem palavras . Em breve fotos na íntegra! ! !