quarta-feira, 27 de maio de 2020

Omolu - Descolonizando


Boneco de biscuit confeccionado pela artesã Cintia Bela, encomendas no 98085-7325

O conhecimento liberta! e desconstrói preconceitos. Como o Brasil foi colonizado e catequizado é necessário descolonizar o pensamento, vamos conhecer as divindades da mitologia africana. Entender a outra cultura é fundamental para que possamos ter propriedade na fala e ampliar o conhecimento e sabedoria. Conheça o Orixá Omolu..



O Orixá mais temido dentre todos, conhecido como Omolu, Omulu, Obaluaê, Obaluaiê, entre outros nomes. Ele é o responsável pela terra, pelo fogo e pela morte, por causa do seu poder, é tão temido pelos humanos.

Tanto no Candomblé quanto o Obaluaiê na Umbanda é sinônimo de temor, pois ninguém esconde nada deste Orixá, ele é capaz de enxergar qualquer detalhe da vida de uma pessoa, é também o responsável pela morte já que rege a terra e é dela que tudo nasce e tem seu fim. Mas, por outro lado Omolu é o protetor dos doentes pobres, pois ele conhece o sofrimento de carregar uma enfermidade e não quer que ninguém passe por essa dor, assim ele está associado também a cura.

Sendo assim, Omulu tem o grande poder de causar uma epidemia, mas ao mesmo tempo de curar qualquer mal. Ele carrega sempre uma lança de madeira, o lagidibá e o Xaxará para espantar as energias ruins e os eguns. Nenhum humano pode ver Omulu sem a palha, seu brilho é intenso como o Sol, tal evento mataria qualquer um rapidamente, por isso ele se apresenta vestido de Filá e Azé, as roupas de palha, está sempre curvado, como quem sente intensa dor e sofrimento.

Senhor dos espíritos, mediador entre o mundo material e espiritual, sua significância vai muito além da aparência. Ele conhece a tristeza e as dores como ninguém e é a prova de que tudo pode ser superado se tiver coragem de seguir em frente e vontade de viver.

Omulu História
Muitos mistérios cercam a vida de Obaluaê, seu caminho sempre foi cercado por despedidas e dor. Ele tornou-se o Orixá das mazelas justamente por ter sofrido várias e se curado de todas. Seus problemas surgiram desde seu nascimento e por obra do destino e determinação ele superou todas as adversidades.

O Nascimento de Obaluaiê
Omolu é filho de Nanã e Oxalá, irmão de Oxumaré. Devido a erros cometidos por Nanã ao confrontar Oxalá, Obaluaê nasceu cheio de varíolas, o que fez com que a sua mãe o abandonasse para morrer na beira do mar. Após algum tempo, Iemanjá ao caminhar sobre seus domínios encontrou a criança recém nascida toda deformada devido a doença e aos caranguejos que já o comiam.

A piedade e compaixão tomou conta do coração da Orixá que o adotou e o criou como o seu filho, o ensinando a superar os males e a curar as doenças. Assim Obaluaiê cresceu cheio de cicatrizes o que o deixava sentir grande vergonha de si mesmo e como meio para se esconder ele se cobre todo com palhas, ficando somente os braços e pernas de fora.

Assim o Orixá cresceu sempre tímido e de cabeça baixa, se escondendo de todos e pensando no porquê fora abandonado, estes sentimentos fez com que ele se tornasse muito sério, sempre pensativo e compenetrado em seus pensamentos e algumas vezes até mesmo mal humorado.

Ensinamento de Obaluaiê
Uma vez em sua caminhada pelo mundo, Obaluaiê passou por uma aldeia faminto e sedento. Por não saberem que se tratava do Omulu Orixá, os moradores se negaram a dar até mesmo um copo com água para ele, pois estranharam muito alguém todo coberto de palhas, o qual não poderiam nem mesmo ver o rosto.

Muito desapontado e triste ele saiu da vila e ficou nos arredores querendo entender mais sobre aquele povo. Durante este tempo de angústia, a aldeia caiu em miséria, as pessoas adoeceram o sol esquentou tanto que queimou as lavouras e sem saber o que acontecia, chegaram a conclusão que só poderia ser por causa do desconhecido que eles negaram até mesmo água.

Arrependidos, os líderes do local recolheram o pouco de alimento que restara e foram levar ao forasteiro juntamente com o pedido de perdão pela ignorância de todos. Compreendendo a dor dos moradores, Obaluaiê pisou novamente no vilarejo e tudo voltou a vida imediatamente. Omulu então pediu a todos que nunca negassem um prato de comida ou um copo com água a alguém necessitado, porque somente quem sofre sabe o peso que carrega nesta vida e não merece mais uma punição.

A verdadeira beleza
De volta a terra dos Orixás, Obaluaiê viu que estava acontecendo uma grande festa com todas as divindades presentes. Como não gostava de multidões e sentia vergonha de sua aparência, tendo que ficar todo coberto de palhas, ele preferiu se manter de longe escondido, só observando.

Iansã, que dominava os ventos viu o rapaz de canto e resolveu matar a sua curiosidade de saber como ele era, furtivamente ela mandou uma ventania no Orixá que levantou as palhas que o cobriam. Omolu ficou imóvel assustado e todos na festa também pararam para ver pela primeira vez um rapaz tão belo que brilhava como o Sol. Então Iansã dançou com ele até o final da comemoração e os dois se uniram para combater a morte e as doenças.

Qualidades de Obaluaê
Afomam Carrega duas bolsas de onde tira as chagas. Anda com Ogun.
Agòrò Sua roupa possui barras com palha e é de cor branca
Akavan Se veste estampado e anda com Iansã
Ajágùnsí Tem ligação com Nanã e Oxumaré
Azoani Veste palha vermelha, tem ligação com Iansã, Oxumaré e Iemanjá
Azonsu Carrega a lança em suas mãos, vestido de branco com ligação com Oxalá, Oxumaré e Oxum
*Jagun Àgbá Anda com Iemanjá e Oxalufan
*Jagun Ajòjí Anda com Ogun, Oxaguian e Exú
*Jagun Arawe Ligado a Iansã e Oxaguian
*Jagun Igbonà Ligação com Oxaguian e Obá
*Jagun Itunbé Não gosta de feijão preto e está ligado a Oxaguian e Oxalufan, come caracol.
*Jagun Odé Tem ligação com Ogun, Logun e Oxaguian
*Apenas algumas nações cultuam Jagun como qualidade de Obaluaiê.

Oferenda para Omulu
IMPORTANTE: toda oferenda deve ser orientada por alguém responsável do Candomblé ou Umbanda, cada Orixá possui suas peculiaridades que devem ser respeitadas e guiadas por quem os conhecem após anos de prática na religião.

Obaluaiê é o caminho para o encontro da cura, quem precisa de saúde pode pedir o seu auxílio. Suas quizilas são: carne de porco, caranguejo e jaca.

Pipoca para Omulu
Ingredientes: milho de pipoca, azeite de dendê e lascas de coco.

Material: Alguidar.

Modo de Fazer: Estoure o milho em uma panela com o azeite de dendê. Coloque a pipoca em um alguidar e enfeite com lascas de coco.

Dia de Obaluaiê
Seu dia da semana é a segunda-feira, e a comemoração em seu nome é em 16 de agosto.

Cores de Obaluaiê
Suas principais cores são o preto, vermelho e branco.

Características das Filhas e Filhos de Obaluaiê
São pessoas com um aspecto depressivo e que estão sempre vendo a vida de forma negativa. Os filhos de Omulu andam com semblante triste e costumam reclamar muito da saúde e de dores, para piorar a situação são teimosos e não acreditam que podem reverter a situação ou que estão na verdade muito be.

São pessoas carinhosas e doces, mas o seu lado ranzinza é o mais expressivo, faz com que qualquer pessoa otimista desanime da vida após conversar com ele. Costumam apresentar manchas na pele e realmente sentem dores no corpo com frequência.

Não entre na lista de inimigos de um filho de Omulu, eles são vingativos e conseguirão te fazer sentir o pior dos seres humanos. Mas, dentre tantas qualidades negativas, eles possuem uma das melhores características, são extremamente amigos, se você tem a confiança de alguém que é filho de Obaluaiê, saiba que tem a melhor amizade do mundo. São também pessoas muito trabalhadoras e dedicadas em tudo que fazem.

São muito limpos e vaidosos, costumam ser muito bonitos se não for fisicamente, são espiritualmente, por isso conquistam as pessoas sem nem mesmo se esforçar. Possuem o brilho do Sol em sua alma, são inquietos e mudam facilmente de opinião.

Sincretismo de Obaluaiê
Este Orixá possui dois sincretismos, pois ele age em duas linhas diferentes.

Sincretismo de Obaluaiê
Quando acompanhado de Nanã, ele é Obaluaiê, o mais jovem, enquanto sua mãe apaga as memórias das pessoas que logo morrerão ele faz a passagem de sua alma do mundo material para o espiritual, este Orixá é sincretizado com São Roque, um Santo da Igreja Católica padroeiro dos enfermos vítimas de peste e dos cirurgiões.

Sincretismo de Omulu
Ao se apresentar com Iemanjá, ele assume uma forma mais velha e recebe o nome de Omulu. Enquanto Obaluaiê rege a passagem para a morte, Omulu juntamente com Iemanjá traz a encarnação, a vida. Seu sincretismo nesta forma é com São Lázaro, o protetor dos leprosos e dos mendigos, que mesmo carregando diversas chagas em seu corpo não deixou de ter fé.

Oração ao Orixá Obaluaiê
“Proteja-me, Pai, Atotô Obaluaê!
Oh, Mestre da Vida,
Proteja seus filhos para que suas vidas sejam marcadas pela saúde.
Vós é o limitador das enfermidades.
Vós é médico dos corpos terrenos e almas eternas.
Suplicamos sua misericórdia aos males que nos afetam!
Que suas chagas abriguem nossas dores e sofrimentos.
Concede-nos corpos sadios e almas serenas.
Mestre da Cura, amenize nossos sofrimentos que escolhemos resgatar nessa encarnação!
Atotô meu Pai Obaluaê!
Dominador das epidemias.
De todas as doenças e da peste.
Omulu, Senhor da Terra.
Obaluaê, meu Pai Eterno.
Dai-nos saúde para a nossa mente, dai-nos saúde para nosso corpo.
Reforçai e revigorai nossos espíritos para que possamos enfrentar todos os males e infortúnios da matéria.
Atotô meu Obaluaê!
Atotô meu Velho Pai!
Atotô Rei da Terra! Atotô Babá!
Mestre das almas!
Meu corpo está enfermo…
Minha alma está abalada,
Minha alma está imersa na amargura de um sofrimento
Que me destrói lentamente.
Senhor Omolu!
Eu evoco – Obaluaiê
Oh!
Deus das doenças
Orixá que surge, diante dos meus olhos
Na figura sofredora de Lázaro.
Aquele que teve a graça de um milagre
No gesto do Divino Filho de Jesus.
Oh!
Mestre dos mestres
Obaluaiê
Teu filho está enfermo…
Teu filho se curva, diante da tua aura luminosa.
Na magia do milagre,
Que virá de tuas mãos santificadas pelo sofrimento…
Socorre-me…
Obaluaiê…
Dai-me a esperança da tua ajuda.
Para que me encoraje diante do martírio imenso que me alucina,
Faças com que eu não sofra tanto – Meu Pai
Senhor Omolu!
Tu és dono dos cemitérios,
Tu que és sentinela do sono eterno,
Daqueles que foram seduzidos ao teu reino.
Tu que és guardião das almas. Que ainda não se libertou da matéria,
Ouve a minha súplica, atende ao apelo angustioso do teu filho.
Que se debate no maior dos sofrimentos.
Salve-me – Irmão Lázaro.
Aqui estou diante da tua imagem sofredora,
Erguendo a derradeira prece dos vencidos,
Conformado com o destino que o Pai Supremo determinou.
Para que eu suplicasse minha alma no maior dos sofrimentos.
Salve minha alma desse tormento que me alucina.
Tome meu corpo em teus braços.
Eleva-me para teu reino.
Se achares, porém, que ainda não terminou minha missão neste planeta,
Encoraja-me com exemplo da tua humildade e da tua resignação.
Alivia meus sofrimentos, para que levante deste leito e volte a caminhar.
Eu te suplico, mestre!
Eu me ajoelho diante do poder imenso,
De que és portador.
Invoco a vibração do Obaluaiê.
A – TÔ – TÔ, Meu Pai.
Obaluaiê, Meu Senhor, ajude-me!
Salve o Senhor o Rei da Terra!
Médico da Umbanda, Senhor da Cura de todos os males do corpo e da alma.
Pai da riqueza e da bem-aventurança.
Em ti deposito minhas dores e amarguras, rogando-te as bênçãos de saúde, paz e prosperidade.
Faz-me, Senhor do trabalho; um filho de bom ânimo e disposição, para triunfar na luta pela sobrevivência.
Faz-me digno de merecer todo dia e toda noite, vossas bênçãos de luz e misericórdia.
ATOTÔ OBALUAUÊ!”
Saudação a Obaluaiê
“Atotô Obaluaê!” – Seu significado é: “Silêncio para o grande Rei da Terra!”

Obaluaiê é Pai da Terra, um dos orixás da Umbanda e do Candomblé mais temido, senhor da morte e da vida, a ele cabe a decisão da cura ou do fim do caminho.



Oxumaré - Descolonizando


Boneco de biscuit confeccionado pela artesã Cintia Bela, encomendas no 98085-7325

O conhecimento liberta! e desconstrói preconceitos. Como o Brasil foi colonizado e catequizado é necessário descolonizar o pensamento, vamos conhecer as divindades da mitologia africana. Entender a outra cultura é fundamental para que possamos ter propriedade na fala e ampliar o conhecimento e sabedoria. Conheça o (a) Orixá Oxumaré..


O Orixá Oxumaré (também conhecido como Oxumarê) representa a cobra arco-íris, que traz as características do animal como a mobilidade, agilidade e destreza. Ele mora no céu e viaja através do arco-íris para a Terra. Além disso, ele representa a fortuna, abundância, prosperidade e riqueza que são realizações importantes para o seu povo.

Oxumaré é o caminho da felicidade.


Na língua iorubá (yorubá), falada por muitos povos na África, seu nome tem uma grafia diferenciada, Òsùmàrè. No Brasil, o Orixá é conhecido com representatividade masculina embora algumas pessoas o relacionem a Oxum. Porém, sua conexão com o universo feminino se dá através da sua irmã gêmea, Ewá e em diversas representações ele, como uma cobra, enrola-se ao redor do corpo dela para protegê-la.


Oxumaré representa a junção entre o masculino e o feminino, união que possibilidade a existência da vida, a água e a terra, a mortalidade e a imortalidade e tudo o que é duplo, ambíguo e opostos que se complementam. Ele é uma grande cobra que envolve a Terra com a sua cauda e assegura a integração do planeta e a renovação do universo regendo as transformações.



História de Oxumaré

Há duas histórias sobre o nascimento do Orixá, são elas:

Primeira História sobre o nascimento de Oxumaré

Apesar do desentendimento entre Nanã e Oxalá devido ao abandono de Omulu, seu filho que nasceu com chagas, o casal gerou mais uma criança dessa vez Oxumaré. Mas devido a praga jogada em Nanã, Oxumaré também nasceu com problemas de formação, sem braços e pernas, como uma serpente, ele rastejava pelo chão como o réptil, mas a sua forma era humana. Mais uma vez decepcionada, Nanã abandonou seu filho.

Ao contrário de Omulu, Oxumaré não precisou da ajuda de ninguém para se manter, muito ágil e sábio o Orixá logo aprendeu a sobreviver caçando, nadando e subindo em árvores quando preciso. Ele até plantava sua comida favorita, a batata doce. Orunmilá, o Orixá da profecia, observou o menino e se apiedou do garoto, o tornou um dos Orixás mais belos e o encarregou de levar e trazer as águas dos céus ao palácio de Xangô. Por esse motivo é que pedimos a Oxumaré por chuvas.

Segunda História sobre o nascimento de Oxumaré

Há outro mito que diz que quando Nanã engravidou, Orunmilá a visitou e disse para ela não se preocupar, pois o seu filho nasceria perfeito, na verdade seria um dos Orixás mais belos. Mas como castigo pelo seu ato com Omulu, ela nunca conseguiria viver ao lado do filho, pois ele seria muito ativo e não se apegaria a ninguém facilmente.

A História de como Oxumaré representa o Arco-Íris

Oxumaré, muito conhecido por todos por sua destreza e sabedoria era chamado de Babalawô – o Pai de todos segredos – ele foi chamado pelo Rei de Ifé para prestar serviços à ele. O Rei muito altivo, pagava pelos serviços do Orixá somente com esmolas, que não serviam de nada para Oxumaré. Ele acreditava que só de poder prestar serviços para a figura mais importante de Ifé, já era uma honra, e por isso Oxumaré deveria ser grato.

Mas a quantia que recebia pelos serviços era tão pouca que o Orixá estava passando por necessidade, e com os grandes pedidos do Rei, ele não tinha tempo para fazer nenhum outro serviço. Foi então, que decidiu consultar Ifá para saber a melhor forma de proceder. O Rei, ao saber que Oxumaré estava insatisfeito com o que recebia, pediu para chamá-lo e disse que não o queria mais, considerando a atitude do Orixá como uma ingratidão.


Na mesma época, Olokun Seniade, que representa a prosperidade e riqueza, estava a procura de um Babalawô que pudesse lhe orientar em como ela poderia ter filhos, pois não conseguia engravidar. Vários a visitaram mas nenhuma orientação surtia efeito. então, ela ficou sabendo que Oxumarê não prestava mais serviços para o Rei de Ifé e pediu que um mensageiro o buscasse. Oxumaré a orientou a fazer uma oferenda que assim ela teria lindos filhos, todos muito fortes. O Orixá acertou a previsão e muito grata pelo serviço, Olokun o presenteou com o que tinha de mais valioso: sementes de dinheiro e um belo tecido colorido.


Olokun disse para Oxumaré que sempre que ele usasse o pano, as cores se espelhariam no céu, lembrando a todos de sua majestosa e alegre presença. Oxumarê costuma usar o tecido sempre que desce as águas do céu em forma de chuva para o palácio de Xangô, por isso em dias belos mais chuvosos as cores de Oxumaré se espelham tão fortes no céu em formato de Arco-Íris.

Qualidades de Oxumaré
Esse Orixá pode se apresentar na forma masculina ou feminina, sendo ela serpente ou arco-íris. As formas de serpente costumam ser femininas e as de arco-íris masculinas. Veja abaixo alguns de seus nomes:

Vodun Azaunodor Oxumaré representado como um príncipe branco e está relacionado com o passado;
Dan Cobra que participou da criação da humanidade, na forma humana é muito generoso, está relacionado as chuvas e a riqueza, abundância.
Vodun Frekuen é uma serpente venenosa, representa seu lado feminino
Vodun Dangbé Orixá velho e pai de Dan. Muito inteligente e esperto, é governador do movimentos dos Astros, costuma fazer adivinhações.
Vodun Bessen Guerreiro generoso e ambicioso. Apresenta-se de branco com uma espada, é dono do terreiro Bogun.

Dia de Oxumaré
A Terça-feira é o dia dedicado ao Orixá. E o dia em sua comemoração é 24 de agosto.

Cores de Oxumaré
Todas as cores do arco-íris são atribuídas a Oxumaré e suas vestimentas são amarelas e verdes.

Características dos Filhos e Filhas de Oxumaré
Os filhos de Oxumaré, não têm medo da mudança, na verdade eles buscam pelo novo, podendo ser em carreira, ciclo de amizades, moradias. A incerteza e a coragem de arriscar fazem parte de suas vidas e eles estão sempre se sacrificando para assim começarem um novo ciclo incerto, mas que trazem a eles muita motivação e felicidade.

Eles não conseguem parar, mantém-se agitados o tempo inteiro, costumam ser pessoas magras com dificuldade de engordar. Por causa das características das cobras, seus filhos têm dificuldade de “enxergar” o verdadeiro valor das coisas e acabam se apegando a bens materiais. E não só os adquirem, como gosta de mostrar a todos que os conseguiu, eles possuem paixão por suas riquezas.


São guerreiros e esforçados, não fogem da luta para poderem alcançar o que almejam. Apesar da grande agitação são extremamentes pacientes para esperar pelas oportunidades e “dar o bote” para agarrar o que desejam.

Sincretismo de Oxumaré
No catolicismo, o sincretismo desse Orixá é São Bartolomeu, cuja data de celebração é 24 de agosto. E é cultuado tanto no Candomblé quanto na Umbanda, ambos caminhos que nasceram na África e vieram para o Brasil.

Oração para Oxumaré
“ARRUMBOBÔ OXUMARÉ ORIXÁ

AXÉ AGÔ MI BABÁ, AGÔ AXÉ, SALVE

ADORADA COBRA DE DAOMÉ,

SALVE AS SETE CORES QUE TE REVELAM NO CÉU,

SALVE A ÁGUA, SALVE A TERRA,

COBRA DE DAN, PROTEJA-ME, SENHOR,

DOS MOVIMENTOS DOS ASTROS,

DA ROTAÇÃO E DA TRANSLAÇÃO DE TUDO,

O QUE NASCE, O QUE SE TRANSFORMA,

OXUMARÉ (FAZER O PEDIDO), TU QUE ÉS,

OROBÓROS E DEUS DO INFINITO, FAÇA COM QUE MEU DINHEIRO

SE MULTIPLIQUE, COM QUE MEU SUOR VIRE RIQUEZA,

QUE EU VENÇA E QUE NINGUÉM SE OPONHA A MIM,

CREIO EM TI, BABAÊ,

SEI QUE JÁ ESTOU VENCENDO!”

Saudação a Oxumaré
Arroboboi Oxumarê!

A saudação tem o significado de “Salve o Senhor do Arco-íris” ou “Salve o Senhor dos Ciclos”.

Oxumaré é a presença de tudo que é contraditório, mas que se completam. O movimento do planeta e as nossas vidas estão nas mãos desse lindo Orixá que não se cansa da vida e de sua beleza.



Iansã - Descolonizando

Boneco de biscuit confeccionado pela artesã Cintia Bela, encomendas no 98085-7325

O conhecimento liberta! e desconstrói preconceitos. Como o Brasil foi colonizado e catequizado é necessário descolonizar o pensamento, vamos conhecer as divindades da mitologia africana. Entender a outra cultura é fundamental para que possamos ter propriedade na fala e ampliar o conhecimento e sabedoria. Conheça a Orixá Iansã..

Iansã, Yansã ou Oyá é a Orixá dos fenômenos climáticos. Ela é a força dos ventos, o poder da natureza, e aquela que surge quando o céu se precipita em água e ventania. É a garra, a independência e a força feminina.

O seu nome possui significado de: A mãe do Entardecer, e foi dado à ela por Xangô, sua grande paixão. Mulher guerreira, essa Orixá se distancia das características das demais, com toda sua garra ela acompanha os mais fortes nas batalhas, não nasceu para ficar em casa cuidando do lar.
Apaixona-se com frequência, mas na maioria das vezes é muito fiel em seus relacionamentos, entrega-se completamente ao amor quando o encontra.
Iansã é o esteriótipo perfeito da mulher guerreira, que não tem medo de se arriscar e mudar caso julgue necessário, que sai todos os dias à batalha e não tem receio de lutar, quem espera pela ajuda de Iansã, encontrará em sua essência garra e coragem para vencer na vida e alcançar os seus objetivos.

História de Iansã

Conta o seu mito que um dia ela ajudava Ogum na forja de metais com o objetivo de fabricar ferramentas de trabalho, pois ambos queriam colaborar na construção do mundo. Porém era parte de sua rotina também trabalhar em armas para guerrear, pois os dois eram apaixonados por combate.
Iansã era uma ótima parceira de trabalho e a melhor companheira para Ogum por ser uma guerreira livre. Juntos, eles adotaram Logunedé, que havia se perdido de sua mãe Oxum, criando-o juntos por muito tempo.
Certo dia, o Orixá Xangô foi visitar seu irmão Ogum e encomendou algumas armas para a guerra. Assim que o viu, Iansã se apaixonou por ele e abandonou seu antigo companheiro, deixando Logunedé para ser criado apenas por Ogum.
Foi assim que ela se tornou uma das três esposas de Xangô e com ele passou a coordenar as lutas e enviar seus ventos para a limpeza do mundo, e também para anunciar a chegada dos raios e trovões deste Orixá.
Mas não foi somente com Xangô que ela viveu. Iansã percorreu muitos reinos e viveu com outros reis: Oxaguian, Exu, Oxóssi, Obaluayê, e o próprio Logunedé (que ela criou como filho). O objetivo dela era conhecer e aprender absolutamente tudo. Com Ogum ela aprendeu o manuseio da espada, com Oxaguian ela aprendeu a utilizar o escudo para protegê-la de ataques inimigos. Exu a ensinou os mistérios do fogo e da magia e Oxóssi a ensinou a caçar, a tirar a pele do búfalo e a se transformar no próprio animal com o auxílio da magia. Ela seduziu Logunedé, filho de Oxóssi e de Oxum e – com ele – aprendeu a pescar.

O Mito de Iansã e Obaluayê

Certo dia Iansã partiu para o reino de Obaluayê com o objetivo de descobrir seus mistérios (e também para conhecer o seu rosto, conhecido apenas por suas mães, Nanã e Yemanjá).
Chegando ao reino de Obaluayê ela perguntou como estava o senhor das Chagas e, de prontidão, ele perguntou o que ela desejava em seu reino. Iansã então disse que gostaria de ser sua amiga, conhecer e aprender os seus mistérios e que para provar a sua amizade e honestidade dançaria para ele a dança dos ventos.
Durante muito tempo a Orixá dançou para ele, mas não foi capaz de emocioná-lo e nem de atrair a atenção de Obaluayê. Ele jamais se relacionou com ninguém e Iansã tentou aprender seus segredos de qualquer maneira, então disse ao Orixá tudo o que aprendeu com cada rei.
Após sua insistência Obaluayê perguntou se ela realmente queria aprender e disse que a ensinaria a tratar os mortos. Durante algum tempo Iansã relutou, mas a sua vontade de aprender era tão grande que ela acabou sendo guiada por seus instintos e aprendeu a viver com os eguns (os espíritos desencarnados) para controlá-los, e para conseguir aprender aquilo que tinha vontade.
Outra versão do mito conta que Iansã se tornou a Senhora dos Eguns, sendo a única – além de Obaluayê – que tem poder sobre os mortos e que não os teme depois de vê-lo em uma festa.
Ao chegar de viagem na aldeia em que havia nascido Obaluayê viu que estava acontecendo uma festa com a presença de todos os Orixás, mas ele não se sentia a vontade para participar por sua aparência ser desagradável aos olhos das pessoas e dos outros Orixás.
Ressentido e com vontade de participar ele espreitava por uma fresta, até que Ogum, ao perceber sua dor o cobriu com uma roupa de palha que possuía um capaz de cobrir o seu rosto feio e adoentado. Dessa forma, o convidou para entrar e para aproveitar as comemorações e festejos.
Com muita vergonha Obaluayê entrou mas ninguém se aproximava dele, nenhuma mulher o chamou para dançar. Iansã, que acompanhava tudo, se compadeceu da tristeza de Obaluayê e se aproximou dele, soprando suas roupas de palha com o seu vento.
Nesse momento a ventania de Iansã fez com que as feridas de Obaluayê pulassem para o alto e se transformassem em uma chuva de pipocas fazendo com que todos descobrissem que na verdade ele era um jovem belo e encantador, passando assim, a ser aclamado por sua beleza.
De felicidade e gratidão o Orixá das doenças e dos mortos, em recompensa, dividiu com Iansã os seus mistérios, conhecimentos e o seu reino. E a Deusa dançou com alegria para mostrar que possuía poderes sobre os espíritos.
E foi assim que Obaluayê e Iansã tornaram-se amigos, e reinaram juntos sobre o mundo dos espíritos e dos mortos sendo eles os únicos que possuem o poder de abrir e fechar as portas entre o mundo dos homens e das almas.

Qualidades de Iansã

Muitas são as faces e qualidades de Iansã que aparecem nos mitos dessa Orixá. Dependendo do momento, da fase de seu mito e das necessidades apresentadas pela divindade ela se mostra de diversas formas.
Abomi ou BominTem fundamento com Xangô e OxumAfefeÉ ela quem comanda os ventos, tem caminhos com Obaluaiê e Egun. Veste vermelho e branco, também usa coral, o chorão de seu adê é alaranjado. Afefe, o vento, a tempestade, acompanha Oyá.Akaran; Tiodô; Leié e OniacaráSó encontrada em algumas casasArirauma de suas formasBaganNão tem cabeça. Come com Exu, Ogum e Oxossi. Tem caminhos com EgunBagbureNão tem fundamento com nenhum Orixá. Parece pertencer ao culto de EgungunsBamilaeró OxalufanBiniká ou BenikaTem fundamento com Oxum OparáEuáUm Orixá em particular, mais que em alguns Ilês foram encontradas como forma de Oyá.FiliabaTem fundamento com Omulu.Gunán ou GiganTem fundamento com XangôKedimolueró Oxumarê e/ou OmoluKoduneró com Oxaguiã.Luoeró ossaim; culto NagôMaganbelle ou Agangbeleesse caminho mostra a dificuldade quanto à geração de filhos. Tem fundamento com Iroko e Xangô. Seu assentamento deve ser feito aos pés de Iroko.Messan ou YamesanÉ a que foi esposa de Oxossi, meio animal e meio mulher. Só come caça com Oxossi nas matas. É a mãe dos nove filhos Oyá Mesan é um de seus epítetos.ObáOrixá independente, mais que em algumas casas foi encontrada como qualidade de Oyá.OdoLigada às águas e apaixonada carnal, é muito louca por amor.OgarajuÉ uma das mais antigas no Brasil.OniraÉ uma ninfa das águas doces e seu culto aqui no Brasil é confundido com o culto das outras Oyás por ser uma grande guerreira. É saudada como Oyá, sendo seu culto na África totalmente diferente. Tem ligação com o culto a Egun. Tem grande ligação com Oxum, pois foi ela quem ensinou Oxum Opara a lutar. É muito perigosa por sua ligação e caminhos com Oxaguiã, Ogum e Obaluaiê. Veste coral e amarelo. É Rainha da cidade de Ira (filha ou mulher de Sàngó). Onirá na África é um título de Oiá, significando Senhora da Cidade de Irá.OnisoniTem fundamento com Omulu.PetuNesse aspecto ela convive com Sàngó. Ligada aos ventos e as árvores. Vem sempre antes de Xangô, anunciando a sua chegada.SemiTem fundamento com Obaluaiê.Seno ou CenoTem fundamento com Oxumarê.SinsiráTem fundamento com ObaluaiêSireTem fundamentos com Ossaim e Ayrá.YapopoTem fundamento com Obaluaiê.Tope ou Yatopé ou TupéTem ligação com Xangô e veste-se de branco. Tem fundamento com Ogum e Exu.Gbale ou Igbalé ou BaléÉ a Deusa dos mortos. É Ligada diretamente ao culto de Egun, por isso é a senhora dos cemitérios. Tem pleno domínio sobre os mortos,

Dia de Iansã

O dia de Iansã é celebrado em 4 de dezembro. E o dia da semana em que ela costuma receber as festas em sua homenagem é quarta-feira.

Cores de Iansã

As cores de Iansã são o amarelo e o vermelho. As contas de seu cristal podem ser vistas na cor amarela e o cor-de-rosa também é uma das cores que referenciam a Orixá Iansã.

Características dos Filhos e Filhas de Iansã

Os principais estereótipos dos filhos de Iansã giram em torno da personalidade guerreira, independente e com muita sede de saber que a própria Orixá possui.
Os filhos de Iansã e as filhas de Iansã apresentam seus comportamentos livres, amam a natureza, gostam de viajar e – como bons extrovertidos – gostam de se divertir.
Muitas vezes são audaciosos, autoritários e também poderosos. Eles não aceitam afrontas, e tentam intimidar os seus rivais com o dom da fala presente em seus conhecimentos. Os filhos de Iansã não gostam de ser contrariados, são ciumentos e podem até ser vingativos.

Sincretismo de Iansã

O sincretismo de Iansã relaciona-se à Santa Bárbara. A Santa do Catolicismo que ficou conhecida pelo ciúmes de seu pai, Dióscoro.
O homem a todo custo tentava resguardar a filha dos pretendentes, que desejavam pedir sua filha em casamento. Para evitar tal acontecimento, o pai trancou a filha em uma torre.
Nessa torre haviam duas janelas, e Santa Bárbara pediu a construção de uma terceira para representar a Santíssima Trindade. Um dia, em sua cerimônia de batismo, ela atraiu a ira do pai e fugiu do seu perseguidor.
Foi descoberta e denunciada por um pastor, capturada pelo pai e levada ao tribunal completamente nua. Foi então que o milagre aconteceu. A Santa foi vestida milagrosamente com um suntuoso manto. Porém ela acabou sendo morta pelo pai, que foi fulminado por um raio assim que a matou.
Aí encontra-se a principal relação da Santa com o Orixá Oyá ou Iansã, tendo em vista que ela também é invocada nas tempestades.

Oração à Iansã

“Iansã, mãe e senhora dos ventos e tempestades, das horas aflitas e das almas perdidas.
Dona de todas as direções.
Operosa divindade em prol dos desígnios dos filhos de caídos sem norte e vontade.
Piedade para nós, criaturas que vivemos, à beira das tentações, dos abismos, alheios ao amor do pai Olorum.
Mãe, empresta-nos tua decisão e tua coragem, para o encontro do nosso próprio ser.
Daí-nos um roteiro de esperança e triunfo.
Erradicai a pobreza dos nossos sentimentos, orienta-nos para a verdade, dentro do caminho de devoção ao supremo doador.
Encoraja-nos senhora dos raios, para que nossa própria mente, siga uma só direção: amar a Olorum.
Êparrei Iansã!”

Saudação a Iansã

Uma saudação muito utilizada para a Orixá Iansã é Eparrey Iansã. Essa saudação significa um “olá” com muita admiração. Pode ser escrita também como Eparrêi.
Mulher de garra e decidida, essa Orixá não tem medo dos desafios e encara qualquer obstáculo obstinada a vencer. Sua essência inspira coragem e fibra, quem busca força encontrará essa energia nos braços de Iansã.



Oxum - Descolonizando

Boneco de biscuit confeccionado pela artesã Cintia Bela, encomendas no 98085-7325

O conhecimento liberta! e desconstrói preconceitos. Como o Brasil foi colonizado e catequizado é necessário descolonizar o pensamento, vamos conhecer as divindades da mitologia africana. Entender a outra cultura é fundamental para que possamos ter propriedade na fala e ampliar o conhecimento e sabedoria. Conheça a Orixá Oxum..


Deusa do amor, Orixá das águas, Oxum é aquela que mantém em equilíbrio as emoções, da fecundidade e da natureza. Mãe gentil dos povos antigos e dos novos, é ela que renova e intercede por nós em todas as situações.

Por ter recebido o título como a Orixá do amor, é ela a mais procurada para as questões de união e relacionamentos. Todos aqueles que procuram por paz e estabilidade em uma relação, podem pedir à Oxum a sua benção para essa questão.
Também conhecida como Osúm, Osún ou Oxun, ela é a representação da sensibilidade, da delicadeza feminina e da paixão para motivar a essência da vida. Mamãe Oxum adora as águas calmas, e é através de sua energia que ela tranquiliza os corações dos apaixonados.
Durante as incorporações dessa Orixá, é de costume haver choro, pois sua sensibilidade é transferida aos seus filhos e aqueles que buscam por seu carinho e atenção.

A História

Aprendendo a desvendar os búzios

Uma moça muito curiosa, filha de Oxalá, que tinha uma forte preferência pelo pai que sempre fazia tudo o que ela desejava.
Oxalá, pai de Oxum, era muito sábio e quando possuía algum questionamento ele cuidadosamente consultava Ifá, Deus da Adivinhação, para que ele auxiliasse no prosseguir do destino, por sua vez Oxum a acompanhar queria saber também como desvendar o Oráculo. Mas muitas foram as vezes que Ifá dizia a Oxum para que perguntasse a Exú suas dúvidas pois ele possuía o dom de ver o destino através dos búzios.
Curiosa e intrigada com essa questão a Orixá Oxum pediu ao pai que a permitisse enxergar o futuro, mas Oxalá de prontidão explicou que somente Ifá teria o dom de ler e interpretar os búzios.
Oxum, a filha de Oxalá, não se deu por satisfeita e foi diretamente a Exú pedir para que ele a ensinasse pois ela sabia que ele conhecia o segredo de Ifá. Obviamente Exú recusou-se.
Foi então que ela decidiu partir para a floresta e pediu para que as feiticeiras Yámi Oroxongá, a ensinassem. Mas o que Oxum não sabia é que as feiticeiras desejavam pegar Exú em uma brincadeira.
As Yámi ensinaram-lhe uma magia e pediram para que sempre que ela fizesse esse feitiço que ela lhes prestasse uma oferenda.
E então Oxum com as mãos cheias de um pó brilhante foi até Exú e pediu para que ele adivinhasse o que tinha em suas mãos. Quando Exú chegou perto e fixou o olhar Oxum soprou o pó no rosto dele deixando-o temporariamente cego.
E então Exú ficou preocupado com os búzios e pediu para que ela – que fingia preocupação – o auxiliasse. E então, pouco a pouco, ele foi respondendo os questionamentos do Oxum para que ele pudesse compor o jogo novamente. E todos os Odus passaram a ficar conhecidos por Oxum.
Ao retornar ao reino do pai Oxalá, Oxum contou ao seu pai o que havia acabado de fazer. Ifá, admirado por sua coragem, presenteou-a com a mão de jogo e disse que ela seria regente do Oráculo junto com Exú.
Foi então que Oxalá perguntou para a filha o motivo daquilo tudo. A Orixá, com toda a sua doçura disse que fez tudo isso por amor a ele.

Impondo suas vontades

Era comum que os Orixás masculinos se reunissem para discutir assuntos sobre a humanidade. Oxum sempre achou isso muito injusto, pois sabia que tinha sabedoria e poder o suficiente para opinar sobre as questões dos homens, mas mesmo insistindo nunca conseguiu espaço para se expressar.
Como última escolha, decidiu usar a sua astúcia. Como não existiam homens se não fossem as gestações das mulheres, a Orixá então tirou a graça da fertilidade de todas e assim a humanidade começou a minguar-se e não haviam nascimentos. Notando que algo de errado acontecia na terra, os Orixás decidiram consultar Olorum, que os revelou que a Mãe Oxum havia tirado o dom da maternidade de todos.
Como somente ela poderia resolver essa questão, eles a convidaram para participar da reunião e desde então, a Orixá se tornou figura presente em todos acordos e decisões tomadas pelos Orixás, e a humanidade passou a se multiplicar mais uma vez.
Conheça mais também sobre a imagem de Oxossi no Candomblé e Umbanda aqui em nosso blog!

Qualidades de Oxum

Oxum possui dezesseis qualidades que podem ser encontradas em sua personalidade, dons e formas de agir como Orixá. Vale lembrar que estas qualidades são costumeiramente cultuadas nas Nações de Candomblé, não sendo tão comuns na umbanda.
1. ÒSUN ABALÔ – É uma velha Oxum, de culto antigo, considerada Iyá Ominibú, tem ligação com Oyá, Ogum e Oxóssi, veste-se de cores claras, usa abebé e alfange.
2. ÒSUN IJÍMU ou Ijimú, é outro tipo de Oxum velha. Veste-se de azul claro ou cor de rosa. Leva Abèbé e Alfange, tem ligação com as Iyamís, é responsável por todos os Otás dos rios.
3. ÒSUN ABOTÔ também uma velha Oxum de culto antigo, ligada as Iyamís, feiticeira, carrega Abèbé e Alfange, tem ligação com Nanã, Oyá de culto Igbalé.
4. ÒSUN OPARÁ Oxum Opará ou Apará seria a mais jovem das Oxum, é um tipo guerreiro que acompanha Ogum, vive com ele pelas estradas; dança com ele quando se manifestam juntos numa festa; leva uma espada na mão e pode vestir-se de cor de marrom-avermelhada. Conhecida também como a Senhora da Espada.
5. ÒSUN AJAGURA ou AJAJIRA, outra Oxum guerreira que leva espada, jovem, tem ligação com Yemanjá e Xangô.
6. YEYE OKE Oxum jovem guerreira, muito ligada a Oxóssi, carrega Ofá e Irukerê.
7. YEYE ÌPONDÁ é também uma òsun Guerreira ligada a Ibuálàmò. Yeye Pondá é rainha da cidade que leva seu nome Ìponda, leva uma espada e veste-se de amarelo ouro e branco quando acompanha Oxaguiã.
8. YEYE OGA é uma Oxum velha e muito guereira, carrega Abèbé e Alfange.
9. YEYE KARÉ é um Oxum jovem e guereira, ligada a Odé Karè, Logun edé.
10. YEYE IPETU é uma Oxum de culto muito antigo, no interior da floresta, na nascente dos rios, ligada a Ossaim e principalmente a Oyá dada a sua ligação com Egun.
11. YEYE AYAALÁ- é talvez a mais ancestral dentre todas, veste-se de branco, ligada a Orunmilá e as Iyamis, considerada a avó.
12. -YEYE OTIN- Oxum com estreita ligação com Ínlè, ligada a caça e usa Ofá e Abèbé.
13. -YEYE IBERÍ ou merimerin- Oxum nova, concentra a vaidade e toda beleza e elegância de uma Oxum, dizem que ser a Oxum de mãe menininha do Gantois.
14. –YEYE MOUWÒ- Oxum ligada a Olokun e Yemanjá, grande poder das Iyamís, veste-se de cores claras e usa Abèbé e Ofange.
15. –YEYE POPOLOKUN- Oxum de culto raro, ligado aos lagos e lagoas.
16. -YEYE OLÓKÒ- Oxum guerreira , vive na floresta nos grandes poços de água, padroeira do poço.

Dia de Oxum

Dia 8 de dezembro é celebrado o dia de Oxum Orixá do amor, da fecundidade, fertilidade, das uniões como “Senhora do Amor” e da prosperidade como “Senhora do Ouro”.
Com canjica amarela, polenta, farinha de milho com mel ela costuma receber oferendas aos sábados – que é o seu dia da semana.

Cores de Oxum

Sua principal cor é o amarelo ouro, que representa toda a riqueza que a Orixá possui poder de atribuir.

Características das Filhas e Filhos de Oxum

Pessoas que dão muito valor à opinião das pessoas e não querem, de forma alguma, desagradar os demais. Por isso conseguem lidar com as diferenças e divergências de opinião politicamente e com muita diplomacia.
Os filhos e filhas de Oxum são pessoas obstinadas, focadas e que sabem exatamente o passo-a-passo que precisa ser feito para alcançar seus objetivos e ideais. São pessoas honestas, dedicadas, doces e carinhosas.
Não são levados por paixões arrebatadoras. Preferem a calma, o equilíbrio e a tranquilidade do amor. Guardam a sete chaves as traições de outros com relação a eles e – mesmo que não guardem mágoas – jamais perdoarão essas pessoas.
Os filhos de Oxum são dengosos, maternais e oferecem àqueles que convivem com eles um bom espaço de amor e calmaria. São também muito vaidosos e possuem a característica de sempre cuidarem da beleza. Por essas características e grande dedicação ao relacionamento, é costume dizer que filhas de Oxum tem sorte no amor.

Sincretismo de Oxum

A chegada das religiões afrodescendentes no Brasil trouxe diversos elementos de fé. Por conta disso é comum que se observe o sincretismo religioso como uma prática muito comum dessa época.
Os fiéis da religião Umbanda, por exemplo, incorporaram a figura de Jesus Cristo em suas práticas por tentarem esconder seus Orixás na parte de baixo do altar e – sobre ele – deixavam somente a figura do ícone do cristianismo.
Era uma forma de manterem-se seguros e de manterem sua fé sem nenhum tipo de embate com senhores de escravos e outras pessoas que pudessem desafiá-los por suas crenças.
Oxum, por exemplo, pode ser conectada à Nossa Senhora de Aparecida. A Santa católica encontrada no rio no interior paulistano. O sincretismo traz as mesmas simbologias para os diversos cultos.
Oxum, filha de Oxalá, é a Orixá da beleza, doçura, meiguice, ternura e das águas doces. Muitos dos seus elementos são fortalecidos por suas visões de equilíbrio e amor pelo mundo.

Oração para Oxum

“Senhora das Cachoeiras e Quedas D’água
Faço esta “Oração a Oxum” no começo de meu dia
Para que as boas vibrações espirituais da “Senhora das Águas Doces“
Estejam ao meu lado durante todo o dia, Ora Yê Yê Ô!
Inspire o meu dia com a mansidão e tranquilidade das águas calmas
Para que a bênção de sua energia traga saúde a meu corpo, mente e espírito.
Minha “Doce Mamãe Oxum” afaste de meus caminhos aqueles que desejam prejudicar-me,
Senhora “Dona do Ouro“, com sua rica energia aproxima de meus caminhos a prosperidade,
Para que nada falte a minha vida e de meus familiares.
Para que as boas vibrações espirituais da “Senhora das Águas Doces“
Estejam ao meu lado durante todo o dia, eu rezo a Oxum, Ora Yê Yê Ô!”

Saudação à Oxum

A saudação à Oxum é: Ora Yê Yê Ô! Que significa: Olha por nós mãezinha!
Oxum é a Orixá do amor, da beleza, ternura e riqueza. Seu corpo é coberto pelo amarelo ouro que é reflexo da sua preciosa aura. Mãe Oxum é a responsável por nos acolher durante as tempestades emocionais, nos tranquilizando e orientando os caminhos mais pacíficos a se seguir.

Xangô - Descolonizando

Boneco de biscuit confeccionado pela artesã Cintia Bela, encomendas no 98085-7325

O conhecimento liberta! e desconstrói preconceitos. Como o Brasil foi colonizado e catequizado é necessário descolonizar o pensamento, vamos conhecer as divindades da mitologia africana. Entender a outra cultura é fundamental para que possamos ter propriedade na fala e ampliar o conhecimento e sabedoria. Conheça o Orixá Xangô..

Fogo, trovões e raios. Xangô é um Orixá másculo, viril, agressivo, violento e justo. Ele atua em questões relacionadas à justiça kármica, aquela que considera as ações das pessoas em todas as suas vidas e não somente nessa.

Conquistador, bonito, vaidoso e sensual. Diziam que pouquíssimas mulheres foram capazes de resistir aos seus dons, tanto que foi disputado por três das mais poderosas Orixás.

Suas principais características são: a misericórdia, a justiça, a lealdade, o espírito guerreiro, com arquétipo de conquistador e justo. Símbolo do fogo, dos raios dos céus e do ímpeto da coragem, garra, vigor e dinamismo, Xangô demonstra as características do elemento que o rege.

Dominador das chamas e deus dos raios, ele controla sem piedade as forças do Universo, não há quem escape à justiça deste forte Orixá, os seus olhos enxergam somente o que a alma expressa. Tentar enganá-lo é tornar a ainda pior a sua ira. As pessoas cruéis que escapam da condenação dos humanos, nunca se livrarão da justiça de Xangô.

Ele também é um grande protetor, como líder avança à frente de seus filhos e de todos que buscam sua orientação e segurança. Quem está ao lado de Xangô, não tem o que temer, confira mais sobre sua história:

História de Xangô

A história de Xangô sobre a justiça acima da ira
A história conta que ele era filho de Bayani e marido de Iansã, a Deusa dos ventos, além de Obá e Oxum. Tendo certeza que ele havia nascido para reinar uma de suas lendas conta sobre seu senso de justiça.

Em um determinado momento seus opositores haviam recebido ordens expressas para que destruíssem todo o exército de Xangô e o próprio Orixá. Xangô, seus ministros e soldados estavam perdendo essa batalha e todos os seus homens estavam sendo executados, corpos sendo destroçados e o poder do inimigo cada vez mais claro para ele.

Certo dia do alto de uma pedreira, o Orixá Xangô meditava, refletia a situação que acontecia e elaborava planos para derrotar seu inimigo. Ao observar a tristeza e a dor dos seus fiéis guerreiros Xangô foi preenchido pela ira e – em um rápido movimento – bateu o seu martelo em uma pedra que estava próxima.

Essa atitude provocou faíscas tão fortes que pareciam uma catástrofe, e quanto mais forte ele batia, mais força as faíscas tinham para atingirem seus inimigos.

Foram inúmeras as vezes que Xangô bateu seu machado nessa rocha, e diversos inimigos foram vencidos fazendo com que ele triunfasse e saísse vencedor. Foi a força das faíscas do seu machado que calou os inimigos.

Após prender todos os que haviam sobrevivido à batalha, os ministros de Xangô clamaram por justiça e pediram a destruição completa dos opositores.

Então Xangô proferiu a célebre frase: “Não! De forma alguma faria isso pois, o meu ódio, não pode ultrapassar os limites da justiça.”

Em seguida o Orixá da misericórdia afirmou que os soldados apenas cumpririam ordens mas que seus líderes mereciam sofrer com a sua fúria e ira.

Foi aí que ele elevou seu machado aos céus e gerou uma sequência de diversos raios que destruíram os líderes dos inimigos, mas ao mesmo tempo, libertou os guerreiros – que passaram a servi-lo com lealdade.

Xangô ascendendo a Orixá
Outra história relatada em seus mitos conta que em um treinamento para situações de guerra, Xangô ateou fogo em seu reino e – conforme as regras de seu povo – ele deveria desafiar o seu melhor general para uma luta. Xangô perdeu a luta e – ainda seguindo as normas – deveria abdicar de sua vida por ter cometido um erro que havia causado sofrimento ao seu povo.

Xangô se enforcou em seguida e seu corpo desapareceu em um buraco na terra, de onde surgiu uma corrente de ferro que simbolizava o término da cadeia das gerações humanas. Foi nesse momento em que ele foi consagrado como Orixá. Em sua forma divina ele é filho de Oxalá e Iemanjá.

Encontre as respostas e ajuda que procura por meio da força dos Orixás, clique aqui e faça sua consulta de Búzios!

Qualidades de Xangô
Alufan Veste branco e suas ferramentas são prateadas
Alafim É representado como o dono do palácio real. É governante de Oyó e exibe características de Oxalá e Oxaguian
Afonjá Conta a lenda que Oyá enviou por Obatalá um talismã mágico que é capaz de matar seus inimigos com um raio. Essa qualidade do orixá se alimenta com a mãe Iemanjá. Xangô Afonjá esta sempre em disputa com Ogsputa e um dos mitos relata que Afonjá e Ogum sempre lutavam entre si seja por uma disputa ao amor da mãe, Iemanjá, ou também pela competição de suas mulheres: Oyá, Oxum e Obá.
Aganju Esse nome significa terra firme. Tem perna de pau e é casado com Iemanjá sendo o mais novo filho de Oranian. Essa versão de Xangô é a mais cruel pois ele leva o coração do inimigo na ponta da lança. Dizem que ele é amaldiçoado por ter matado e comido a própria mãe.
Agogo / Agodo / Ogodo Essa versão de Xangô é ruim e gosta de dar ordens e ser obedecido. Segundo a lenda foi ele o responsável por raptar Obá. Ele come com sua mãe, Iemanjá e nessa versão ele aparece com dois machados (conhecidos como Oxês). Ele lança raios e fogo sobre seu próprio destino e o destrói.
Baru Esse orixá veste-se de marrom e branco. De acordo com o mito Xangô recebe de Oxalá um cavalo branco como presente. Após a prisão de Oxalá em um calabouço no seu palácio, Xangô Baru, pediu para que todos se vestissem de branco e pedissem perdão ao Orixá da criação restabelecendo a paz em toda a Terra.
Bade É um jovem vodum da família. Corresponde ao Xangô jovem dos nagôs. É o irmão de Loko e usa roupas azuis com faixas atadas atrás das vestes.
Jakuta É aquele que atira as pedras. É a encarnação dos raios e trovões. De acordo com o mito ele foi atacado por guerreiros de povos distantes em um dia que seus súditos descansavam e dançavam ao som dos tambores. Depois de muitas mortes Jacutá conseguiu escapar com seus conselheiros de onde pode observar o sofrimento do seu povo. Então o rei chamou sua mulher Iansã que levou com suas tempestades os raios de seu rei. Os raios de Iansã caíram e afugentaram os invasores .
Koso ou Obacossô De acordo com a história depois de passar por uma cidade chamada tapas Xangô se refugiou em uma cidade chamada Kossô mas se suicidou por ter suicidado seu povo. No momento de sua morte Iansã chegou ao Orum e pediu a Olodumare que o transformasse em um Orixá.
Oranifé Essa versão de Xangô é impiedosa e é muito conhecido como sendo de temperamento difícil viril e não designar a seus filhos perdão.
Airá Intile Esse é o filho de rebelde de Obatalá. Airá tinha sempre colares de contas vermelhas e brancas feitas por Obatalá para que toda a terra soubesse que ele era seu filho.
Airá Igbonam (Agoynham ou Ibonã) O pai do fogo para o qual dança-se, canta-se sobre brasas escaldantes de fogueiras.
Airá Mofe, Osi ou Adjaos Companheiro de Oxaguiã. Os Airá seriam sempre muito velhos, vestidos de branco e usando contas azuis em vez de corais vermelhos.

Dia de Xangô
O dia 30 de setembro é considerado o dia de Xangô na Umbanda e no Candomblé. Quarta-feira é o dia da semana destinado a ele que é o Deus da justiça, misericórdia e também da guerra.

Cores de Xangô
As principais cores associadas ao Orixá Xangô são o vermelho e o marrom. Elas são relacionadas a Xangô por conta da cor do fogo, que é o elemento deste Orixá.

É importante perceber que o marrom terra avermelhado e o vermelho encontram-se presentes na forma mais comum de sua visualização. Seus elementos e símbolos possuem as mesmas cores.

Características das filhas e filhos de Xangô
Ímpeto, impulso, ação, transformação, destruição. Os elementos presentes na mitologia do Orixá e no seu elemento regente, o fogo, são questões que acompanham os filhos e filhas de Xangô.

Ambiciosos, os filhos de Xangô gostam de sucesso e fortuna, mas são também inflexíveis, e agem com intratabilidade e autoridade. Apesar disso são bondosos, justos, misericordiosos, generosos, e inteligentes.

É tão fácil de percebê-los que até mesmo seu físico é bem característicos, são pessoas de porte forte, que podem até mesmo engordar facilmente se não cuidarem, pois ganham massa ou gordura com facilidade. Mas é tanta a autoestima e a energia que mesmo com muito peso não são pessoas sedentárias e “paradas”, estão sempre à frente de questões que acreditam e nunca fogem de uma questão quando solicitados.

Sincretismo de Xangô
Dependendo das suas qualidades, Xangô pode se apresentar como São Jerônimo ou como São João.

São Jerônimo nasceu na Iugoslávia e dedicou a sua vida aos estudos das escrituras sagradas. Em Roma estudou latim, grego e outros idiomas com o objetivo de aumentar o seu arcabouço intelectual.

O Santo decidiu fazer penitência em um deserto pois ele era muito orgulhoso e de temperamento difícil. Ao retornar à Itália foi nomeado secretario de Santo Ambrósio mas ele faleceu rapidamente fazendo com que o ele ficasse responsável por seus afazeres os quais desempenhou com sabedoria.

São João é o Santo católico relacionado às fogueiras de junho. O dia de celebração desse santo é dia 24 de junho e conecta-se aos festivais de solstício de verão na Europa.

O nascimento de São João Batista foi nesse dia e a celebração foi incorporada de rituais pagãos que eram parte das culturas europeias até aquele período.

Oração de Xangô
Xangô pode ser visto como o Orixá da Justiça mas é importante que se peça misericórdia e não justiça, mesmo que sem sua Oração essa palavra seja amplamente citada. Ele atua no julgamento kármico de todos os envolvidos, ou como costuma ser dito popularmente, o machado de Xangô corta para os dois lados. Veja a reza abaixo:

“KAÔ MEU PAI, KAÔ
O SENHOR QUE É O REI DA JUSTIÇA,
FAÇA VALER POR INTERMÉDIO DE SEUS DOZE MINISTROS,
A VONTADE DIVINA, PARA QUE OS OLHOS DE MEUS INIMIGOS NÃO ME ENCONTREM.
EMPRESTA-ME SUA FORÇA DE GUERREIRO,
PURIFIQUE MINHA ALMA NA CACHOEIRA.
SE ERREI, CONCEDA-ME A LUZ DO PERDÃO.
FAÇA DE SEU PEITO LARGO E FORTE MEU ESCUDO,

PARA COMBATER A INJUSTIÇA E A COBIÇA.
MINHA DEVOÇÃO OFEREÇO.
QUE SEJA FEITA A JUSTIÇA PARA TODO O SEMPRE
É MEU PAI E MEU DEFENSOR,
CONCEDA-ME A GRAÇA DE RECEBER SUA LUZ
E DE RECEBER SUA PROTEÇÃO.
KAÔ MEU PAI XANGÔ, KAÔ”

Saudação a Xangô
Kaô Kabecilê é uma expressão em Nagô que significa “Venham Saudar o Rei”. Usa-se essa expressão quando Xangô vem para a Terra, sendo que durante muito tempo ele foi o Rei de Oyó e onde se consagrou o Deus da justiça.

Xangô é um dos Orixás mais imponentes e poderosos, a força e coragem deste bravo guerreiro abençoam a todos na Terra através de sua Luz.


segunda-feira, 25 de maio de 2020

Iemanjá - Descolonizando


Boneco de biscuit confeccionado pela artesã Cintia Bela, encomendas no 98085-7325

O conhecimento liberta! e desconstrói preconceitos. Como o Brasil foi colonizado e catequizado é necessário descolonizar o pensamento, vamos conhecer as divindades da mitologia africana. Entender a outra cultura é fundamental para que possamos ter propriedade na fala e ampliar o conhecimento e sabedoria. Conheça a Orixá Iemanjá..



Considerada a Rainha do Mar, Iemanjá é uma das divindades mais queridas da Umbanda e do Candomblé. Muito cultuada e respeitada, Iemanjá é tida como a mãe de quase todos os Orixás. Sua representatividade está muito ligada à fecundidade – por isso foi destinado à ela o Mistério da Geração.

A grafia do nome de Iemanjá também é realizada com Y, por isso é tão comum encontrar o nome da divindade escrito desta maneira: Yemanjá. Na África seu nome tem origem nos termos do idioma Yorubá “Yèyé Omo Ejá”, que significa mãe dos filhos-peixe.

No Brasil, ela também recebe os nomes: Inaé, Ísis, Janaína, Maria, Mucunã, Princesa de Aiocá, Princesa do Mar, Rainha do Mar e Sereia do Mar.

História de Iemanjá
Filha de Olokum, soberano dos mares, Iemanjá tomou – ainda quando criança – uma poção que a ajudaria a fugir de todos os perigos. Quando cresceu, a divindade se casou com Oduduá, com quem teve dez filhos Orixás.

Diz a lenda que seus seios se tornaram maiores e mais fartos devido a amamentação de todos os seus filhos, característica que gerou à ela grande vergonha. Cansada de seu casamento, Iemanjá decidiu deixar seu esposo e seguir em busca de sua própria felicidade.

Após algum tempo, ela se apaixonou pelo rei Okerê, com quem viveu uma história nada feliz. Contos revelam que, em um certo dia, após beber demais, Okerê se referiu aos seios de Iemanjá de maneira grosseira, o que fez com que ela fugisse decepcionada.

Para escapar da perseguição de Okerê, Iemanjá fez uso da poção dada por seu pai. Assim a Rainha do Mar se transformou em um rio que encontra o mar.

Para recuperar sua esposa, Okerê decidiu interferir no curso do rio, ao se transformar em uma montanha. Mas com a ajuda de seu filho Xangô (que abriu passagem no meio dos vales criados por Okerê), Iemanjá conseguiu seguir seu caminho, tornando-se então a Rainha do Mar.

Qualidades de Iemanjá
Iemanjá possui características muito particulares e próprias. Regente da inteligência humana, as qualidades de Iemanjá são muito importantes, pois transformam-a praticamente em Orixás individuais.
Mas é preciso destacar que este aspecto ainda é fruto de estudos e pesquisas. Enquanto isto, muitas nações continuam a considerá-la como Orixá única. Veja abaixo algumas das qualidades:

Iemanjá Asagba ou Sobá Ligada a Airá, lufã e Orunmilá, é responsável por fiar algodão. Usa corrente de prata no tornozelo e carrega consigo um Abebé. Sua energia está ligada a espuma branca do mar e dos rios, e é vista sempre vestindo branco e prata.
Iemanjá Akurá Vive nas espumas do mar, aparece vestida com lodo do mar e coberta de algas marinhas. Muito rica e pouco vaidosa. Adora carneiro e possui forte ligação com Nanã.
Iemanjá Iyá Odo Para alguns é a considerada mãe de Oxun. Vive às margens de todos os rios, representando o Ajubó ancestral. Além disso, é ligada ao Orixá Oxalufan.
Iemanjá Iya Awoyò A mais velha das Orixás, possui ligação com Oxalá, Oxumarê e Xangô. Sempre vista vestindo branco perolado e cristal é responsável pelas marés.
Iemanjá Malèlèo ou Maylewo Vive nos grandes lagos e é considerada muito tímida. Diz a lenda que não se pode tocar no rosto do Iyawò, veste verde claro e branco prateado.
Iemanjá Iyá Ógunté Mãe do rio Ógun, é considerada uma grande guerreira. Usando uma espada e carregando um Abebé, tem ligação com Ogum e Oxaguian. Veste sempre azul claro e branco perolado.
Iemanjá Sessu, Iyasessu Ligada a Babá e Olokun é considerada muito voluntariosa e respeitável. Vive nas águas agitadas da costa e está sempre vestida de verde e branco.
Iemanjá Olossá ou Oloxá Ligada a com Oxum e Nanã é a mais velha da terra de Egbado. Vestindo verde-claro e com suas contas branco cristal, está Orixá não possui iniciados no Brasil.
Iemanjá Iya Massê Mãe de xangô.
Oferenda para Iemanjá
IMPORTANTE: toda oferenda deve ser orientada por alguém responsável do Candomblé ou Umbanda, cada Orixá possui suas peculiaridades que devem ser respeitadas e guiadas por quem os conhecem após anos de prática na religião.

Os pedidos feitos à mãe Iemanjá, geralmente, são acompanhados de oferendas. Roupas, velas, alimentos e flores como rosas, palmas brancas, orquídeas e crisântemos brancos, são oferecidos à divindade.

Consideradas verdadeiros presentes, estas oferendas para Iemanjá devem ser entregues preferencialmente à beira mar. No caso de alimentos ou produtos perecíveis, a entrega deve ser feita em um local como um campo ou mata.

Alguns ingredientes são muito característicos nestas oferendas à Iemanjá. Geralmente os preparados levam peixe, camarão, arroz, canjica, manjar e mamão. Veja alguns pratos tradicionais da cozinha ritualística para Iemanjá:

Canjica Branca: preparar a canjica em uma tigela de louça branca, acrescentar leite de coro, mel e uvas brancas (as uvas são opcionais).
Canjica Cozida: a canjica e refogada com azeite de dendê, cebola e camarão.
Manjar do Céu: preparado com leite, amido de milho, leite de coco e açúcar.
Sagu de Leite de Coco: Depois do sagu inchado, refogar com leite de coco de modo a fazer um mingau grosso, em seguida colocar em uma tigela de louça branca.
Peixe de Iemanjá: Cozinhe o peixe com cheiro verde, coentro, tomate e cebola. Não use sal e fique atento para o peixe não desmanchar.
Dia de Iemanjá
Comemorado no Brasil no dia 02 de fevereiro, o Dia de Iemanjá é marcado por celebrações, rituais e oferendas.
No Brasil a maior festa em homenagem à ela acontece na Bahia, na cidade de Salvador. Anualmente, no dia 02/02, fiéis se reúnem vestidos de branco, e saem em procissão. Outra festa importante que acontece para Iemanjá, é a realizada no Rio de Janeiro. O tradicional Banho de Pipoca é acompanhado por pessoas de diversas religiões.

Alguns locais também comemoram o Dia de Iemanjá no dia 08 de dezembro. Esta data é comemorada principalmente na cidade de São Paulo, devido à relação ao dia de Nossa Senhora da Conceição.
O dia da semana destinado à Iemanjá é o sábado.

Cores de Iemanjá
Iemanjá tem como principais cores o azul claro, o branco e o prata. As três cores, que estão quase sempre presentes em suas vestimentas e em seus adornos, representam todo seu mistério (associado ao fundo do mar) e também a sua vaidade.

Características dos Filhos de Iemanjá
Considerada uma mãe jovem, porém madura, Iemanjá é uma das Orixás que mais possui filhos. Eles costumam gostar muito de luxo e às vezes chegam a ser um pouco exagerados. Detentores de um plano de vida muito bem elaborado, possuem um grande equilíbrio e domínio emocional.

Sempre muito sábios, eles são capazes de dizer verdades que nem todos gostam de ouvir. Os filhos da Orixá Iemanjá são protetores e estão sempre dispostos a ajudar e cuidar dos problemas dos outros como se fossem seus, além de um grande instinto maternal – já que possuem grande conexão com o Mistério da Geração.

Sincretismo de Iemanjá
No Brasil, Iemanjá é considerada a divindade das águas doces e salgadas. Na igreja católica a Orixá está associada principalmente à Nossa Senhora dos Navegantes, mas também à outras Santas, como Nossa Senhora das Candeias, Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora da Piedade, e a própria Virgem Maria.
O sincretismo de Iemanjá com Nossa Senhora dos Navegantes teve sua origem no século XVIII. Resultado de um conflito ocorrido pelo choque entre as religiões dos negros trazidas da África com o catolicismo já instituído no Brasil.

Oração a Iemanjá
“Doce, meiga e querida Mãe Iemanjá. Vós permitiste que no seio de vossa morada se formassem as primitivas formas de vida, que foram o berço de toda a criação, de toda a natureza e de toda a humanidade, aceitai nossas preces de reconhecimento e amor.
Que os lampejos que emanam de vosso diáfano manto de estrelas venham, como benéficas vibrações espirituais, aliviar os males, curar aos doentes, apaziguar os nossos irmãos revoltados, consolar os corações aflitos. Que as flores e oferendas que depositamos em vosso tapete sagrado, sejam por vós aceitas e quando entrarmos nas águas para vos ofertá-las seja as ondas do mar portadoras de vossos fluídos divinos. Fazei, Senhora Rainha das Águas, com que a espuma das ondas em sua alvura imaculada traga-nos a presença de Oxalá, limpe os nossos corações de todas as maldades e malquerenças.

Que os nossos corpos, tocados por vossas águas sagradas, libertem-se em cada onda que passa, de todos os males materiais e espirituais.

Que a primeira onda a nos tocar afaste de nossas mentes todos os eventuais desejos de vingança; que a segunda lave nossos corações e nosso espírito, para que não nos atinjam as infâmias e malquerença de nossos desafetos; que a terceira onda afaste a vaidade de nossos corações; que a quarta lave nosso corpo de todos os males e doenças físicas para que, sadios, possamos prosseguir; que a quinta onda afaste de nossa mente a ganância e a cobiça; que a cesta onda venha carregada de flores e que nosso maior desejo seja o de cultivar o amor fraternal que deve existir entre todos os homens; e que ao passar a sétima onda, nós, puros e limpos de mente, corpo e alma, possamos ver, ainda que apenas por alguns segundos, o esplendor de vossa radiosa imagem. É o que humildemente vos suplicam seus filhos.

O Jogo dos Búzios abre a possibilidade de proximidade com o Divino, por meio da comunicação do Oráculo com os Orixás. Fale com um esotérico experiente em Búzios Online e tenha as respostas que precisa. Clique Aqui!

Saudação a Yemanjá
Odoyá e Odociaba são as saudações mais utilizadas para Iemanjá.

Odoyá que significa Mãe das Águas, é comumente utilizada da seguinte forma: “Eu sou Filho de Iemanjá. Odoyá minha mãe!”.

Já Odociaba invoca a poderosa força das águas. A saudação que significa Rainha da Águas Sagradas e é utilizada na expressão “Odociaba, Mãe Iemanjá!”.

A celebração à Iemanjá é uma das mais conhecidas e importantes em nosso território nacional. Considerada a Grande Mãe, ela em toda sua bondade acolhe a todos que a procura com muito amor e benevolência materna.