quinta-feira, 28 de maio de 2020

Logunedé - Descolonizando




Logunedé, Orixá masculino, da pesca e da caça, considerado um dos mais belos e não poderia ser por menos, ele é filho de Oxóssi e Oxum. Ele herdou o jeito meigo e a graça de Oxum e a felicidade e o espírito caçador de Oxóssi, portanto Logun edé apresenta em suas características expressões femininas e masculinas, o que o faz aparecer em algumas representações da Umbanda e Candomblé como uma figura jovem.

Ele divide sua vida em dois períodos no ano, durante 6 meses ele acompanha o seu pai nas matas, o que o garantiu grande habilidade com a caça, sendo muito ágil e carregando também o axé da prosperidade, nos outros 6 meses ele convive com sua mãe nos rios, onde desenvolveu técnicas de grande pescador e absorveu as características belas e delicadas de Oxum. Seu temperamento devido ao axé dos seus pais é bem contraditório, pois em um momento ele se apresenta terno, amável e benevolente e em outro instante ele prefere a solidão e assume uma posição séria que lembra Oxóssi.


Tanto na Umbanda quanto no Candomblé, Logunedé é um exímio caçador, seja em terra ou águas ele sabe usar a paciência e sabedoria para alcançar o que deseja e a sua beleza encanta e arranca suspiros e prende olhares.

História de Logunedé

A história dos Orixás se cruzam em sua maioria com a vida de Logunedé, pois ele foi filho de vários pais e de várias mães.

O nascimento de Logunedé – Oxossi com Oxum
Mesmo se amando, Oxóssi e Oxum não viveram juntos, pois seus costumes, gostos e interesses eram muito diferentes, ao saber que sua amada estava grávida, Oxóssi disse à ela: “Oxum, pelo amor que tenho por ti, gostaria de ficar com o menino e criá-lo da melhor forma possível, o ensinarei a ser um grande caçador e guerreiro e ele aprenderá sobre todos os segredos das matas.” Impossibilitada de se separar do filho que tanto amava, Oxum respondeu: “O menino ficará 6 meses com o pai e 6 meses com a mãe, comerá de caça e de peixe. Ele será Oxum e Oxóssi, sem deixar de ser ele mesmo Logunedé: o príncipe da floresta e exímio caçador”.

Recebeu de presente de sua mãe um espelho, o abebé, no qual ele se admira e de seu pai ganhou ofá, arco e flecha para aprender os dons da caça. Esses objetos o mantém sempre próximo aos seus pais, já que a silenciosa floresta nunca pode seguir o esperançoso e vivaz fluxo de um rio.

Separado da mãe
Logunedé era uma criança muito ativa e por isso Oxum vivia a adverti-lo para não ir onde as águas eram profundas e turbulentas (pois Obá habitava essas águas e em seu ódio por Oxum com certeza faria algo a criança). Mas, por ser muito curioso um dia, na distração de sua mãe, a desobedeceu, Obá notando a presença do garoto em suas águas, despertou a fúria do rio para afogá-lo. Desesperada, e sem saber o que fazer pois a criança estava fora de seus domínios, Oxum suplicou a Olorum o seu auxílio, que salvou a criança mas a entregou para Iansã cuidar, pois não achava seguro ele ficar em uma área de confronto entre Oxum e Obá.

Nesta época, Iansã era esposa de Ogum e os dois criaram Logunedé como seu filho. Sem saber do que havia acontecido com a criança, Oxum o considerou morto. Enquanto ele crescia, suas visitas a Oxóssi continuavam, mas devido a frieza do Orixá, ele nunca o falou sobre a sua mãe e, quanto mais perto da adolescência Logunedé chegava, mas a imagem de Oxum se perdia em sua memória.


Um belo dia a se lembrar de um rio vagamente, Logunedé decide procurá-lo, chegando próximo as suas águas ele avistou uma linda mulher, tão bela que ele não conseguia parar de olhá-la e a sua visão aquecia o seu peito de uma forma inexplicável, decidiu então, ficar escondido atrás de uma moita a espiando. Oxum logo sentiu que estava sendo observada e repentinamente saltou sobre a moita, para a sua surpresa, ao ver o jovem rapaz ela logo reconheceu que era o seu filho perdido. A emoção foi tamanha que ela não conseguiu conter, assim o falou tudo que havia acontecido e os dois passaram o dia brincando e conversando a beira do rio. O problema era que nessa época Oxum já havia se casado com Xangô, e ele não admitia que nenhum homem chegasse perto de suas iabás, por isso Logunedé nunca mais pode morar com sua mãe, pois deveria manter distância do castelo de Xangô e então passou a encontrá-la escondido nas águas do rio.


Mais tarde Logunedé também perdeu sua mãe de criação Iansã, que abandonou Ogum para se entregar a sua paixão por Xangô.



Qualidades de Logunedé
Logunedé é metá, não possui qualidades, ele é único e transforma-se no que quiser, pois ele concentra em si 3 energias diferentes :a dele mesmo, de Oxum e Oxóssi.

Dia de Logunedé
O dia de Logunedé é a quinta-feira e a sua data de comemoração é 19 de abril, dia de Santo Expedito.

Cores de Logunedé
Suas cores são o amarelo ouro e o azul turquesa.

Características das Filhas e Filhos de Logunedé
Os Orixás de cabeça determinam suas principais características e, os filhos de Logunedé possuem uma essência peculiar, eles são pessoas muito indecisas, nunca sabem o que realmente querem e até mesmo suas emoções e formas de agir são um pouco indefinidas.

Isso se deve ao fato de que as características de Oxum e Oxóssi estão presentes nestas pessoas, mas de maneira superficial, ou seja, filhos de Logunedé são sensuais, carismáticos, elegantes, belos como Oxum e objetivos e seguros como Oxóssi, mas tudo isso é de forma menos incisiva como o dos próprios filhos desses Orixás. Essa mistura os tornam pessoas soberbas e arrogantes, eles possuem olhar de felino, aquele que prende pela beleza mas ao mesmo tempo intimida, gostam de mandar e não são nem um pouco modestos. Por serem naturalmente belos, eles sustentam tudo com a confiança em sua aparência. Mas, se eles se tornarem pessoas conscientes de seus defeitos e de seus pontos fortes se tornarão extremamente agradáveis e nascidas para o sucesso.

Sincretismo de Logunedé
Logunedé possui sincretismo com o Santo Expedido, sua associação se deve ao fato de que não se sabe direito sobre como foi a morte de Expedito, e se ele realmente morreu na época que estimam. Pelo fato do mistério em suas histórias, ambos foram sincretizados.

Oração ao Orixá Logunedé
“MENINO DEUS, LOGUNEDÉ, SENHOR DAS BRINCADEIRAS E DAS ALEGRIAS CONSTANTES

MENINO DEUS DAS BÊNÇÃOS DA VIDA E DA TERRA CINTILANTE

MENINO DEUS DO ABEBÉ E DO IFÁ QUE SUA ATENÇÃO CAIA SOBRE MIM

MENINO DEUS DO OURO DAS PEDRAS DE ARCO-ÍRIS

MENINO DEUS DO ARCO E DA FLECHA QUE APONTA O DESTINO

MENINO DEUS DA PROSPERIDADE

MENINO REI DA BONDADE

MENINO DEUS GUARDA OS MEUS PASSOS

MENINO DEUS ME ACOLHA EM SEUS BRAÇOS

MENINO DEUS, SENHOR DO MUNDO, SENHOR DA ESPERANÇA, GUIE OS MEUS PASSOS, SOB SEU MANTO AMARELO E VERDE. SARAVÁ LOGUNEDÉ!”

Saudação a Logunedé
Sua saudação é: Logun ô akofá! ou Loci Loci Logun

Significado: Brada, Principe Guerreiro.

Os Orixás da Umbanda e do Candomblé são influenciadores de nossas características básicas e também nos guiam e protegem em nosso caminho. Por isso se você procura por sucesso em seus sonhos, Logunedé pode ser um dos Orixás a te ajudar a encontrar o caminho da prosperidade.



Ewá - Descolonizando




Ewá ou Yewá é a Orixá da vidência e do sexto sentido. Ela é filha de Oxalá e Nanã, irmã de Oxumaré e Obaluaiê.

Conhecida por sua aparência exótica, Ewá é também símbolo da beleza e sensualidade, mas nunca se entregou a nenhum homem, se conservando casta e se tornando protetora de tudo que é virgem e puro, desde o ser humano até mesmo as florestas e rios.
Não confunda pureza com ingenuidade, pois essa Orixá é muito astuta e esperta, por isso não queira nunca despertar a sua ira. Às vezes é confundida com Oxumaré, assim ela costuma ser cultuada juntamente com seu irmão e os dois são responsáveis pela energia do arco-íris. Ela também possui a serpente como seu símbolo, só que em tamanho menor que a de Oxumaré.

Ewá é uma Orixá mais tradicional no Candomblé do que na Umbanda. Sua principal força vem da Nigéria, onde existe um rio com seu nome. Ela é regente da neblina e dos nevoeiros, e quem a desafia costuma se perder na vida e nunca mais consegue encontrar o seu caminho. Mulher guerreira e de grande sabedoria, Ewá não possui medo da morte e já a enganou diversas vezes. Algumas de suas lendas diz que ela habita também regiões de cemitério, onde se sente em paz e consegue se manter afastada de Ifá e de Xangô.

É de tradição também que ela suba somente na cabeça de mulheres, portanto ela se apresenta somente em filhos de santos femininos. Seus símbolos mais comuns são: o Ofá usado em guerra, o arpão, a cobra e a lira.

História de Ewá

Ewá engana a morte

Conta uma das lendas de Ewá que um dia ela estava a beira do rio lavando roupas, as quais ela carrega em uma gigante gamela (igba), e notou que de longe vinha um homem correndo desesperado de algo. Se sentindo disposta a ajudá-lo, ela jogou as roupas no rio e o escondeu dentro de sua igba. Logo em seguida Ikú surgiu (a morte) e a perguntou se ela havia visto um homem, calmamente ela respondeu dizendo que ele havia descido o rio correndo, assim Ikú passou despercebido. Ao sair da igba o rapaz se apresentou como Ifá e se apaixonou perdidamente por Ewá, a levando embora consigo com a finalidade de desposá-la. Ela aprendeu com Ifá o dom da vidência, mas não se tornou sua mulher.

O ewó de Ewá

Certo dia Ewá estava a estender as roupas que havia lavado no rio quando de repente uma galinha surgiu e ciscou toda a terra em suas roupas lavadas. Tomada de ódio por ter que lavar tudo novamente, Ewá amaldiçoou a galinha deixando suas patas espalmadas e a condenando ter que ciscar o resto da vida.

Ewá aterroriza Xangô

Sabendo da beleza de Ewá, Xangô decide conquistá-la, a Orixá fugiu dele de todas as formas possíveis. Um dia Xangô estava a dançar em um dos territórios de Ewá, onde a neblina tomava conta de todo o local. Ela então foi caçoar de Xangô do modo como ele dançava e o perguntou se ele não notou onde estava a dançar, Xangô todo cheio de si disse que ele agiria como quisesse e onde desejasse.
Ewá deixou bem claro que ali ela era quem governava e saiu, levando consigo a névoa, então Xangô notou que ele estava em um cemitério, toda sua energia e alegria dissipou-se pois a única coisa que ele teme é a morte, então o Orixá saiu dali correndo no mesmo instante.

Oxumaré ajuda sua irmã

Nanã queria que sua filha Ewá se casasse com alguém poderoso, pois achava a jovem muito solitária e calada e ciente de sua fama por tamanha beleza ela sabia que Ewá poderia encontrar um bom partido. Mas a Orixá queria viver sozinha e se dedicar a sua função de equilíbrio e proteção de tudo que é puro e verdadeiro, decidiu então pedir ajuda de seu irmão Oxumaré. Então o Orixá serpente a levou para o seu lugar único, no final do arco íris, onde ninguém nunca chegou, nem nunca viu. Lá os dois passaram a viver juntos e Ewá se escondeu para sempre de Nanã e pôde fazer o que gosta, que é trazer a noite com seu adô.

Qualidades de Ewá

Ewá AwoSenhora dos jogos de Búzios. Está junto com Oya, Oxossi e OssaynEwá BamioDona das pedras preciosas. Ligada a OssaynEwá FagemySenhora dos arco íris. Ligada a Oxun e OxaláEwá GyranSenhora dos raios solares. Ligada a Omulu, Oxossi e OxumEwá GebeuyinSe transforma em serpente azulada nas tempestades. Ligada a Omulu, Oya e OxumEwá SalamimSenhora guerreira e das matas, ligada a Yemanjá e a Odé.

Dia de Ewá

O dia da semana de Ewá é a terça-feira e o dia de comemoração é 13 de dezembro,

Cores de Ewá

As cores de Ewá são bem femininas: coral, rosa e vermelho vivo.

Características das Filhas e Filhos de Ewá

Os filhos de Ewá possuem características bem distintas, sua beleza é exótica e seu temperamento é instável. Aparentemente são pessoas calmas e muito simpáticas, possuem uma natureza que as fazem encantadoras e de aspecto jovem e puro, mas como que repentinamente podem mudar de humor se mostrando ignorantes e arrogantes.
Dão valor ao que é belo fisicamente, por isso gostam de se vestir bem e com coisas caras. Se entregam facilmente as coisas belas e são facilmente influenciáveis, agindo conforme o ambiente onde frequentam ou gostariam de frequentar.

Sua atenção está inteiramente voltada a fatos e pessoas, por isso percebem facilmente pontos e detalhes em diversos tipos de ocasiões, os quais elas usam para se envolver ao meio que lhes interessem, toda essa vivacidade pode distraí-las de aspectos mais profundos o que faz delas pessoas desatentas e muitas vezes distraídas.

Sincretismo de Ewá

Ewá por seu poder de vidência é sincretizada com a Santa Luzia do catolicismo. Esta, conhecida como padroeira dos que possuem problema de visão. Santa Luzia também escolheu não se casar e entregou a sua vida ao que acreditava, a visão de ambas vai muito além do físico, elas conseguem enxergar os melhores caminhos da para a alma.

Oração ao Orixá Ewá

“Senhora do céu rosado, senhora das tardes enigmáticas; senhora das nuvens carregadas, esteira do arco-íris.
Senhora das possibilidades das vantagens e dos caminhos do encantamento e da beleza, da alegria e da felicidade.
Senhora das brumas dissipe as nuvens dos meus caminhos; ó poderosa princesa!
Invoque as forças dos ventos a meu favor, que a chuva me cubra de prosperidade, que sua coroa cubra meu destino; ó princesa-mãe do oculto!
Que eu seja o seu filho perdido e bendito e em suas graças; que a névoa que existe hoje em meus passos seja límpida no amanhã!
Que assim seja!
Rirô Ewá!”

Saudação a Ewá

Ri Rô Ewá! – Significado: Doce, branda Ewá!
Ewá é uma Orixá guerreira e de palavra firme, o que ela decide ou diz não há quem a faça mudar de ideia. O seu objetivo é proteger os que são puros e verdadeiros de coração e para compreender e se entregar totalmente ao seu ideal ela escolheu ficar sozinha e casta para sempre.



Obá - Descolonizando



Obá, a Orixá guerreira e de grande força, é a rainha do Rio Níger (o principal rio da África Ocidental e o terceiro mais longo de toda África). Está sempre com espada e escudo na mão, pronta para lutar pelo o que acredita e defende. As mulheres que buscam por força e proteção podem recorrer a essa Orixá, pois ela é a mãe que entende as dores do coração.


Filha de Iemanjá e Oxalá, a Orixá Obá é senhora das águas doces revoltas, procura sempre pelo equilíbrio e é defensora da justiça. Sempre que encontrar quebras fortes de água doce, pororocas e quedas d’água, saiba que ali se encontra ela. Obá anda ao lado de Nanã, por isso também tem controle sobre o barro e as enchentes. Por possuir grande força física, ela representa o poder feminino da luta, também é atribuído a ela o poder de transformar os alimentos crus em cozidos.

Obá na Umbanda e no Candomblé é uma representação feminina cheia de energia, vida e força. Sempre domina a roda e é temida por todos os outros Orixás, pois consegue derrotar qualquer um, desde que a disputa seja honesta. Obá possui as características de garra e fibra que toda mulher gostaria de possuir, sem medo de ir à frente e mostrar seu poder.

Seu estereótipo de batalha a deixa com uma aparência menos feminina. Sua beleza está na forma como guerreia e combate as injustiças. Ela não é esposa de ficar em casa, nem de dengos, tanto que sempre esteve ao lado de Xangô em suas disputas, fazendo o possível para ajudá-lo a alcançar a vitória.

Aqui no Brasil o culto a Obá é muito disperso,pois não há muita compreensão sobre a Orixá e suas lendas sempre estão rodeadas de mistérios.
Ela sempre aparece com a mão no ouvido ou com um tecido na cabeça, isso se deve ao fato de ter cortado a própria orelha como prova de amor a seu esposo Xangô.

História de Obá

São muitas as lendas sobre a vida e feitos da Orixá, todas elas rodeadas de muito mistério.

Obá e Ogum

Sempre destemida e enérgica, ela adora enfrentar os Orixás. A lenda de Obá conta que ela já derrotou Oxalá, Exu, Oxumaré, Iansã, Orunmilá, Oxossi e Omolú.
Sua única luta perdida foi contra Ogum, que foi mais esperto na hora do combate. Antes da batalha, Ogum consultou Ifá, e a previsão foi de que se ele fizesse uma pasta com 200 espigas de milho e muito quiabo, a despejando em um canto da arena da luta, ele venceria.

Ogum seguiu a risca o conselho do Ifá. Estava evidente quem seria o vencedor, Obá dominava de forma esmagadora a disputa. Então, Ogum a levou para o canto com a pasta que havia preparado e a Orixá ao pisar na massa escorregou. Ogum não perdendo a oportunidade, a segurou e a possuiu ali mesmo. Depois da derrota, ela casou-se com Ogum.
Mas Obá ainda não havia sentido o amor verdadeiro, pelo menos não até conhecer Xangô. Era mais um dia de disputa entre os Orixás, e Ogum iria enfrentar o Orixá da Justiça. Durante a batalha, Obá (que acompanhava Ogum) sentiu seu coração bater descontroladamente e não conseguia tirar os olhos de Xangô, foi quando decidiu mudar de lado, abandonou Ogum e casou-se com Xangô, tornando-se sua primeira esposa.

Obá e Xangô

A partir desse casamento Obá se transforma totalmente, e passou a ser muito ciumenta e possessiva. Seu amor pelo Orixá é descontrolado e ela faz qualquer coisa por ele. Como sua prova de devoção, ela sempre carrega junto a si as brasas das festas de Xangô.
Ao lado dele, sua vulnerabilidade passa a ficar muito visível, já que ela é capaz de fazer loucuras pelo marido. Por conta disso, ela foi enganada uma série de vezes dentro do relacionamento.

A lenda conta que Obá tinha muita inveja de Oxum, pois percebeu que a Orixá era a preferida de Xangô. Ela se questionava, mas não conseguia compreender o porquê, já que Oxum era totalmente mimada e dengosa, e quem corria os riscos nas batalhas sempre ao lado de Xangô era ela. Então, decidiu perguntar à Oxum o que ela fazia para encantar tanto o esposo. Notando a inocência de Obá, ela disse que era o Amalá que ela preparava que tinha um feitiço que o prendia. Ela passou a receita do prato para Obá, e a avisou que o principal ingrediente era ao final do preparo, acrescentar a própria orelha como oferenda ao amor dos dois.
Esperançosa com a eficácia do Amalá, Obá não notou que Oxum tinha as duas orelhas e que aquilo tudo era uma grande mentira, então foi rapidamente preparar o prato e cortou a própria orelha esquerda, a misturando ao amalá e o servindo para Xangô. Quando o Orixá notou que a orelha de Obá estava na comida, ele ficou furioso, e sua ira foi tão grande que as duas saíram correndo apavoradas do reino e viraram dois rios que correm paralelos e recebem o nome das Orixás. Quando suas águas se encontram eles ficam com ondas muito fortes, devido a disputas das duas pelo amor de Xangô.

Essa não foi a única vez em que Obá foi enganada por Oxum. Antes desse ocorrido, ela deu de presente para Xangô um lindo cavalo branco. O Orixá adorou o presente, e aquele tornou-se seu cavalo predileto. Logo depois, ele teve que partir em uma batalha, e dessa vez Obá não pôde acompanhá-lo. Decorrido 6 meses, a Orixá ficou aflita pois o marido não voltava, e resolveu consultar Orunmilá para saber o que poderia fazer, esse a instruiu a fazer um sacrifício, um espanta-moscas feito de rabo de cavalo e colocar no teto da casa.
Obá então encomendou a Eleguá o iruquerê – nome dado ao instrumento – e Oxum ao saber disso, resolveu interferir, orientando a cortar o rabo do cavalo branco que Xangô tanto amava. O resultado não poderia ser outro: o cavalo sangrou até a morte. Quando Xangô retornou da batalha, não encontrava seu cavalo e ao entrar em seu lar viu o iruquerê pendurado no teto. As suas outras esposas disseram que foi obra de Obá e ele com toda sua fúria repudiou a Orixá.

Mas Obá não deixou de graça todas as artimanhas de Oxum: em meio a um dia de ira, sem que Oxum percebesse o perigo, ela virou um caldeirão dendê em fervura nos pés da Orixá. Devido ao grave ferimento, há uma lenda que diz que é possível reconhecer os filhos de Oxum por seus pés.
Obá e Oxum não podem ficar próximas uma da outra em uma roda, elas devem ficar sempre o mais distante possível.
A história de Obá e Xangô é repleta de conflitos por causa da ingenuidade da Orixá quando o assunto é amor. Seu ciúme descontrolado sempre a coloca na pior situação e aumenta a ira de seu marido. De seu grande amor nasceu Opará, uma bela guerreira.

Qualidades de Obá

Em todas suas qualidades Obá é sempre uma mulher de semblante triste, cheia de ressentimentos, mas uma guerreira inigualável.
Obá LokéObá com OdéObá GideóObá unida a XangôObá TeráObá unida a OgumObá SyióUnida a Xangô e a OyáObá LodéLigada a IyamiObá RewáObá e EwáObá LomyinObá ligada a Oxalá


Dia de Obá

O dia de Obá é em 30 de maio, mesmo dia em que é comemorado o dia de Santa Joanna d’Arc, santa na qual ela é sincretizada. O seu dia da semana é a Quarta-feira.

Cores de Obá

Sempre vestida de vermelho e branco, com detalhes em amarelo e as armas em cobre. Suas cores mostram sua força e impõe respeito.Em algumas qualidades também podemos vê-la na cor rosa.

Características das filhas e filhos de Obá

Os filhos de Obá são um pouco antissociais, eles se sentem inferiores aos outros e costumam ser secos e ríspidos com os que rodeiam. Não fazem amizade facilmente, pois são muito sinceros e chegam a ofender com suas opiniões, pois não escondem nada do que pensam, nem planejam o que dizer.
Mas eles ou elas são extremamente fiéis aos poucos amigos que possuem e em seus relacionamentos. Falando nisso, no amor são possessivos e costumam também ser submissos, característica herdada da Mãe.
As filhas de Obá são mulheres de muita garra em áreas profissionais. São excelentes juízas, advogadas, tudo que envolva lei ou condicionamento físico. Devido a isso, sofrem muito preconceito por causa da inveja no mercado de trabalho.

Sincretismo de Obá

O seu sincretismo é com a Santa Joana D’Arc. Ambas são mulheres de força, guerreiras que lutaram e defenderam o que acreditavam sem se importarem com os olhares opressores e com as opiniões alheias.

Oração a Obá

OBÀ SIRÉ! SENHORA DAS ÁGUAS TEMPESTUOSAS, AJUDAI-ME A VENCER OS OBSTÁCULOS EM MINHA VIDA PROFISSIONAL E FINANCEIRA.
OBÀ SIRÉ! COM VOSSO OFANGE, AFASTA MEUS INIMIGOS E TODOS AQUELES QUE DESEJAM O MAL PARA MEUS CAMINHOS E DAQUELES QUE TANTO AMO.
OBÀ SIRÉ! PODEROSA ORIXÁ QUE REGE O AMOR , PROTEGE MINHA VIDA AMOROSA E TRAGA SEMPRE O ENTENDIMENTO AO MEU RELACIONAMENTO.
OBÀ SIRÉ! PODEROSA GUERREIRA, DAI-ME CORAGEM E FORÇA PARA ENFRENTAR OS DESAFIOS DIÁRIOS E PERMANECER SERENA COM TODOS OS QUE CRUZAREM MEUS CAMINHOS.
OBÀ SIRÉ!

Saudação a Obá

Obá Siré! Essa saudação significa: Rainha Poderosa!
Obá é defensora dos injustiçados, mulher de garra e força que não teme nenhum homem ou afrontas. Seu único ponto fraco é o amor. É fácil entender Obá pois suas características são muito comuns em diversas mulheres que conhecemos. Corajosas prontas a enfrentar o mundo, mas se desmontam quando encontram sua verdadeira paixão. Mil homens não derrubam Obá, mas um em especial sabe atingir seu coração.

Ibejis - Descolonizando




Imagina aquela alegria que invade de repente, aquela vontade de fazer o que nos faz bem enfim, uma vontade de viver intensamente. Esse é o Orixá Ibeji, gêmeos que carregam a felicidade em seus corações e veem a vida com os olhos de criança.
Os gêmeos são protetores das crianças e simbolizam o nascimento e a vida. O Ibeji Orixá é a sobrevivência da continuidade. Na África os filhos são fonte de grande alegria, pois eles são a garantia de que a sua história e de sua descendência perdurará.

O Ibeji na Umbanda e no Candomblé são vistos como filhos de criação de Oxum, devido a esse fato, em rituais voltados especialmente a Orixá costuma-se dedicar algo também as crianças Ibejis.
A característica dos gêmeos mais particular é o seu poder de desfazer coisas realizadas por outros Orixás, mas algo feito por Ibejis jamais poderá ser desfeito por nenhum outro Orixá.

História de Ibejis

Os Ibejis são muito confundidos com Erês, por serem crianças e terem os mesmos atributos de características infantis, mas os gêmeos são na verdade uma divindade e possuem história e missões diferentes dos Erês.
Caso você queira saber quem são os Eres, veja aqui também em outro artigo em nosso blog!

A maioria das histórias diz que os gêmeos são um casal, um menino e uma menina. O primeiro a nascer chama-se Taiwo e o segundo Kehinde, na cultura Yorubá acredita-se que Kehinde deixa a função de supervisionar o mundo nas mãos de seu irmão Taiwo, que o faz sem discutir com sua irmã, por isso acredita que ele seja o mais velho e carrega responsabilidades a mais.

O Nascimento dos Ibejis

Os Ibejis são filhos de Iansã e Xangô. Ao dar a luz as crianças, ela os repudiou, os abandonando nas águas de um rio.
Oxum estava a passear por perto e escutou o choro das crianças, sem hesitar correu na direção do som e encontrou os dois pequeninos recém nascidos. Diz a lenda que ambos irmãos sorriram para Oxum quando a viram, o que fez o coração da Orixá derreter de amor pelos pequenos. Oxum então passou a ser a mãe dos Ibejis e os deu os nomes: Taiwo e Kehinde. Ibejis é o único Orixá que possui dupla representação e eles simbolizam o nascimento de todas as coisas.

A História da vida humana dos Ibejis – Antes de serem Orixás

Os gêmeos eram dois príncipes capazes de trazer sorte a todos que os consultassem. Com muita alegria e sabedoria o jeito infantil de enxergar as situações os possibilitavam a encontrar as melhores respostas para qualquer tipo de problema questionado. Em troca, eles pediam como pagamento doces.
Como toda criança levada, eles adoravam fazer traquinagens e um dia brincando próximo a uma cachoeira um deles caiu, na queda das águas e morreu afogado.

O irmão sobrevivente não conseguia mais encontrar a felicidade em viver e em meio aos seus prantos de saudades implorava a Orunmila que o levasse para perto de seu irmão. Tocado pelo sofrimento do pequeno, Orunmila resolveu atender ao seu pedido, e o desencarnou. Para confortar a todos que os amavam ele deixou em seu lugar duas estátuas de barro representando os príncipes gêmeos.
Por isso é muito comum oferendas aos Ibejis no pé da estátua de gêmeos.
Você gosta da cultura afro e acredita no poder das energias dos Orixás? Então faça uma consulta com quem entende de jogo de Búzios e desvende tudo que quiser sobre a sua vida, clique aqui!

Oferenda para Ibejis

IMPORTANTE: toda oferenda deve ser orientada por alguém responsável do Candomblé ou Umbanda, cada Orixá possui suas peculiaridades que devem ser respeitadas e guiadas por quem os conhecem após anos de prática na religião.
Para os Ibeji, doces são as melhores oferendas, quanto mais doce melhor, de preferência regadas com muito mel. As oferendas podem ter brinquedos acompanhando, mas lembre-se que precisam ser dois e não pode haver um brinquedo com melhor qualidade que o outro, os gêmeos devem receber brinquedos de igual valia.

Dia de Ibejis

O seu dia da semana é o Domingo e a data comemorativa é em 27 de Setembro, dia de São Cosme e São Damião.

Cores de Ibejis

As cores características do Ibejis são: verde, azul e rosa.

Características das Filhas e Filhos de Ibejis

Os filhos e filhas de Ibejis tem características bem infantis. São muito alegres e com um ar muito jovial, mas não pensam muito para realizar algo, eles são inconsequentes. Dificilmente um filho de Ibejis ficará sentado esperando algo acontecer, por serem muito brincalhões e agitados eles estão sempre na ativa colocando tudo e todos a sua volta em movimento.
São muito teimosos e não vivem sem companhia. No amor são dependentes do parceiro, chegam ao ponto de serem bem obsessivos e ciumentos. Ao mesmo tempo possuem uma magia contagiante de criança com suas expressões infantis que contagiam e deixam a todos alegres.

Parece que o tempo não passa para eles, não espere muita maturidade de sua parte. Por terem um olhar de uma criança, eles entendem as questões da vida da forma mais simples possível, é tudo “8 ou 80”, ou gosta, ou não gosta, não existe meio termo. Por esse motivo, são pessoas muito frágeis e que se magoam muito na vida pois elas acreditam que tudo é muito maior e mais profundo do que realmente é.
O lado bom é que também devido ao seu jeito infantil eles esquecem tudo muito rápido, se você magoar um filho de Ibejis logo mais ele não lembrará nem de sua existência na vida dele. Adoram festas, doces e os momentos rodeados de muitas pessoas.

Sincretismo de Ibejis

Os Ibejis foram sincretizados com os Santos Católicos Cosme e Damião. Também gêmeos, os dois dedicaram suas vidas a curar as pessoas através da medicina e da fé. Mas não só o fato de serem gêmeos os sincretizaram, o dom de guardar a vida também é um motivo para essa comparação.

Oração a Ibejis

OMI IBEJI. BEJÉ ERÓ!
SALVE AS FORÇAS DAS CRIANÇAS.
FORÇA PURA, VERDADEIRA,
QUE RELUZ NO CÉU AZUL
E NA ROSA DAS FLORES,
TRAGA AO NOSSO AXÊ A PAZ
E A ESPERANÇA,
ZELE POR NOSSAS CRIANÇAS.
PEÇA A OXALÁ, COM SUA
IMENSA PUREZA,
QUE MEUS PEDIDOS FEITOS
COM CLAREZA
E VERDADE SEJAM ATENDIDOS.
DOCES CRIANÇAS,
REPRESENTANTES DE COSME E DAMIÃO,
QUE VOSSA SANTA PROTEÇÃO
NOS SIRVA DE CONSOLO E APOIO NAS HORAS DIFÍCEIS.
ACEITEM ESSA OFERENDA QUE É FEITA
COM VERDADE
E INTERCEDA POR MIM JUNTO AO PAI
DE AMOR SUPREMO.
AGRADEÇO DESDE JÁ A VOCÊS,
CRIANÇAS. OBRIGADO.

Saudação a Ibejis

Saudação: Bejiróó! Oni Beijada! – A saudação tem significado de: “Ele é dois!”
Os Ibejis estão presentes em todos os rituais e merecem respeito como os demais Orixás, lembre-se sempre de tratar os dois com a mesma importância para não alimentar o ciúme de criança, aceite a alegria da infância em sua vida e a forma simples de enxergar o mundo e aprenda com os Ibejis a aproveitar tudo que a vida te oferece não se prendendo a nada que o diminua.


Exú - Descolonizando



Também conhecido como Esu, Eshu, Bará, Ibarabo, Akésan, Yangí, Legbá e Ònan, Exú é o Orixá da comunicação, da paciência, da ordem, da disciplina e da sexualidade. Com origem africana, Exú é uma das figuras mais populares do Candomblé e da Umbanda.

Ele é considerado o guardião das aldeias, cidades, casas e do Axé, e tem forte domínio sob o sexo, a magia, a união, o poder e o fogo da transformação.

Devido a outros tipos de cultura, Exú foi associado ao diabo e à uma figura ruim. Mas, esse esteriótipo é totalmente contrário à verdadeira característica do Orixá. A maldade é fruto do ser humano, não de Exú, ele é o ser mais próximo do homem, se todos soubessem os benefícios e proteção que ele é capaz de realizar, seriam todos mais próximos a este fantástico Orixá.

A História de Exú

Cultuado nas cidades de Ondo, Ijesa, Ijebu, Alaketu, Abeokuta, Ekiti e Lagos, Exú foi denominado erroneamente como o diabo cristão. Seu estilo irreverente e brincalhão causou estranheza e curiosidade nos colonizadores na época da colonização europeia.

Lendas contam que o Orixá Exú fez parte da criação do mundo. Durante este período Exú desempenhou o papel de mensageiro de Deus – chamado de Olodumare ou Olorum – sendo ordenado a vir para Terra para saber se ela poderia ser habitada por seres humanos e Orixás.


Após sua chegada, Exú se recusou a voltar ao céu, sendo considerado assim o primeiro Orixá a chegar e permanecer na Terra. Isso o levou a ser o primeiro a ser reverenciado nos cultos de nação, e posteriormente na Umbanda.

Acredita-se também que Exú foi um dos principais responsáveis pelo encadeamento de ações divinas e pela criação dos meios que possibilitaram e evolução dos seres. Isto pois ele comanda o Vazio Absoluto, que deu sustentação para a criação do mundo.

Exú na Nigéria
Na Nigéria a apresentação histórica de Exú é um pouco diferente. Para este povo, o Orixá teria sido um dos companheiros de Oduduá, após sua chegada a Ifé. Mais tarde, tornou-se assistente de Orunmilá e posteriormente Rei de Ketu, por isso o nome Exú Rei.

Denominado também como Àkero ou Àkesán, ele foi considerado chefe, cargo que lhe trouxe a missão de supervisionar as atividades mercantis – por isso é um dos maiores protetores dos comerciantes.

Características do Orixá Exú
Exú é a ponte mais estreita entre os sentimentos humanos e as superioridade dos Orixás. Energético, alegre, carismático, brincalhão e muito atraente, é dono de um invejável magnetismo e de uma excelente lábia.

Com a admirável capacidade de ser o mais sutil e astuto de todos os Orixás, Exú é capaz de provocar mal entendidos e discussões às pessoas que estão em falta com ele, pois faz parte de um dos seus mistérios.


Capaz de fazer o erro virar acerto e o acerto virar erro, ele possui diversos elementos relacionados às suas atividades. Sua multidisciplinaridade faz com o que o Orixá seja presente em todos os lugares: na terra, no pó e na poeira.

O diferencial do Exú na Umbanda
Tanto na Umbanda quanto no Candomble, Exú é um Orixá como todos os outros, oriundo da força da natureza. Mas há um pequeno diferencial quando falamos do Exú que surge no terreiro Umbanda.

Quem já foi ao ritual, sabe que é costumeiro os Exús darem passes para proteger e orientar quem os procuram, mas esses seres de Luz que fazem essa limpeza espiritual, são Guias Exús e não o Orixá em si. Eles possuem nomes característicos e muito conhecidos como: Exú Caveira, Exú Tiriri, Exú Marabô, Exú do Lodo, Zé Pilintra (alguns espíritos desta linha se apresentam como Malandros, outros como Exús), e muitos outros.

Exú, um Orixá de esquerda
No Candomblé, ele possui um culto à parte, na Umbanda a sua nomenclatura é definida como Orixá de esquerda, ou seja, aquele que age tanto na Luz quanto na Sombra.

Resumindo: os Orixás agem todos na Luz – do lado direito – onde atuam sobre a vida de todos os humanos a partir de suas verdades e leis supremas, cada qual com sua energia e poder natural.


Já Exú é um Orixá que se conecta ao mundo terreno e as características humanas, ele trabalha também o lado esquerdo, podendo agir na Luz e nas Sombras e é por isso que muitas pessoas o considera de ações ruins. Mas, o que necessitamos compreender aqui é o seguinte: Exú é o único Orixá que entende de perto os sentimentos humanos e tem total sintonia com nossos objetivos. Sendo assim, se a pessoa tem má índole, ele poderá agir ao ser chamado em alguma causa, mas no momento em que ele for cobrado por ter realizado algo errado, sua ira superará qualquer afeição e essa pessoa será punida por aquilo que cometeu.

Desta forma, podemos entender que Exú não é um ser maligno, ao contrário, ele possui um grande amor pelas causas humanas, é fascinado por nosso existir e isso faz com que ele nos enxergue e haja por nós com outros olhos. Quem souber tratá-lo como merece e andar nos bons caminhos sob sua proteção, encontrará somente a felicidade e a força necessária para superar qualquer que seja o desafio.

Qualidades de Exú
Os diversos nomes de Exú se dão pelas funções que ele exerce, também chamadas de qualidades. Existem inúmeras ramificações deste Orixá, e cada divindade recebe um nome e também peculiaridades:

Exú Yangui A sua múltipla forma mais importante e que confere a qualidade de Imolê ou divindade nos ritos da criação.
Exú Igbá ketá O Exú da terceira cabaça.
Exú Okòtò O Exú do caracol, o infinito.
Exú Oba Babá Exú O rei e pai de todos os Exús.
Exú Odàrà O senhor da felicidade ligado a Orinxa’Lá.
Exú Òsíjè O mensageiro divino.
Exú Elérù O senhor do carrego ritual.
Exú Enú Gbáríjo A boca coletiva dos Orixás.
Exú Elegbárà O senhor do poder mágico.
Exú Bárà O senhor do corpo.
Exú L’Onan O senhor dos caminhos.
Exú Ol’Obé O senhor da Faca.
Exú El’Ébo O senhor das oferendas.
Exú Alàfìá O senhor da satisfação pessoal.
Exú Oduso O senhor que vigia dos Odús.
Oferendas a Exú Orixá
IMPORTANTE: toda oferenda deve ser orientada por alguém responsável do Candomblé ou Umbanda, cada Orixá possui suas peculiaridades que devem ser respeitadas e guiadas por quem os conhecem após anos de prática na religião.

As oferendas são popularmente entregues em encruzilhadas abertas e preferencialmente longe de hospitais, bares, cemitérios e delegacias, sempre mantendo para fora, pois é o campo de atuação deste Orixá.. Realizadas com diferentes objetivos, elas podem proporcionar a abertura de caminhos profissionais e amorosos, e também para saúde, limpeza ou fortalecimento.


Vale lembrar que estas oferendas são feitas com responsabilidade, estes rituais não devem prejudicar ninguém nem mesmo levar o mal ou o conflito ao próximo.

Exú precisa sempre ser o primeiro a receber uma oferenda, e que pela sua diversidade e proximidade com o ser humano aceita praticamente de tudo em seu prato. Preferencialmente, prepara-se o Padê, mistura feita a partir da mistura da farinha de mandioca grossa com azeite de dendê ou pinga, com adicionais como pimentas, cebola ou pedaços de carne, de acordo com a necessidade ou com a qualidade.

Dia de Exú
Segunda-feira é considerado o dia de Exú. Neste dia o Orixá deve ser invocado para abrir caminhos e trazer crescimento e expansão na semana que se inicia. A data em comemoração ao seu nome é o dia 13 de Junho.

Cores de Exú
O Orixá tem como cores principais o preto e o vermelho. Tons que apresentam forte associação aos seus elementos: o fogo e a terra. Estas cores também são relacionadas à sua forma de trabalhar, pois o vermelho é a cor irradiadora (que vai oferecer a quem precisa tudo que foi pedido) e a preta é a cor absorvedora (fazendo grandes trabalhos de descarrego e limpeza energética).

Características das filhas e filhos de Exú
Muito intensos e dados a paixão e a conquista, os filhos de Exú estão sempre muito alegres. Donos de uma personalidade atraente e carismática, costumam ser magnéticos e chamam a atenção por onde passam. Característica geralmente utilizada apaziguar situações difíceis (e com a mesma facilidade instaurar conflitos).

Os filhos de Exú possuem grande facilidade de comunicação e podem usufruir desse fator de diversas maneiras, são pessoas muito boas para negócios, publicidade ou para qualquer outra coisa que necessite de persuasão. Essas pessoas também são capazes de solucionar os maiores conflitos ou criar os piores, tudo dependerá da energia que elas alimentarão as suas vidas.

Sincretismo de Exú
Exú é homenageado no dia 13 de junho, mesmo dia em que é celebrado o dia de Santo Antônio. Este sincretismo foi dado pelas intenções amorosas direcionadas ao Santo Católico. Intenções muito bem compreendidas pelo Orixá, que é também conhecido como Senhor do sexo e dos relacionamento carnal, por isso carrega em suas mãos o falo na maioria das imagens.

Oração para Exú
“ORIXÁ EXÚ, VÓS QUE SOIS O ORIXÁ REGENTE DO VAZIO, O ORIXÁ VITALIZADOR, O ORIXÁ ESGOTADOR DOS EXCESSOS HUMANOS E DE SUAS ILUSÕES VÃS, AUXILIE-NOS.
PEDIMOS AO SENHOR E AO PAI CRIADOR OLORUM, GUIEM-NOS PARA QUE VAZIO NÃO NOS TORNEMOS.
NÃO NOS PERMITAM PERDER-NOS NA DUALIDADE DOS MOMENTOS DA VIDA.
ORIXÁ EXÚ, NÃO DEIXE QUE PERTURBAÇÕES ESPIRITUAIS E MATERIAIS MINEM NOSSA FORÇA DE VONTADE E LIVRE ARBÍTRIO, NEM NOSSA VONTADE DE VIVER.
ORIXÁ EXÚ, SENHOR DA DUALIDADE QUE VEMOS NA MATÉRIA, ORIENTE-NOS PARA QUE NÃO SEJAMOS SEDUZIDOS POR CAMINHOS QUE NOS LEVAM A PARALISAÇÃO EVOLUTIVA E CONSCIÊNCIA DAS TREVAS DA IGNORÂNCIA EM QUE MERGULHAMOS QUANDO VAZIOS DE DEUS NOS TORNAMOS.
LIVRA-NOS DE TUDO AQUILO QUE NOS AFASTA DE NOSSO CRIADOR E AFASTE DE NÓS O MAL.
E SE MERECEDORES FORMOS, QUE TENHAMOS PAZ E PROSPERIDADE, PARA CONDUZIRMOS NOSSO FARDO NESSA ENCARNAÇÃO DE MANEIRA MAIS AMENA, COM AUSÊNCIA DE NOSSOS ABISMOS E NEGATIVISMOS, SOBRE TUA GUARDA E PROTEÇÃO.
AMÉM.”

Saudação do Orixá
Laroyê e Mojubá são populares saudações feitas à Exú. Mojubá significa rei e sua saudação tem como principal significado “apresentar seu humilde respeito”. Palavra comumente utilizada em prol da grandeza e da magnitude de Exú. Já Laroyê (ou Laroiê) significa “pessoa muito comunicativa”.

“Laroyê Exú! = Mensageiro, Exú!”
“Exú e Mojubá = Exú, a vós meu respeito!”

Orixá da comunicação, da persuasão, do sexo e da transformação. Exú é conectado aos desejos e anseios humanos e compreende nossas causas como nenhum outro. Ele é a ponte entre os homens e os Orixás e por ele somos capazes de elevarmos nossa espiritualidade e encontramos as mais fortes proteções para nosso caminho.